Autor: Cicero Pedro Leão

Sobre

Cicero Pedro Leão

Jornalista apaixonado por cinema, literatura, música e quadrinhos. Pesquiso a obra de Jean Renoir na UFMG. Descobri minhas paixões ouvindo os Rolling Stones, lendo Roberto Piva e assistindo a Anecy Rocha em "A Lira do Delírio".

Sem Fôlego

Todd Haynes é um dos diretores mais inventivos de sua geração. Desde os anos 1990, cada obra do cineasta apresenta características autorais intensas. Ainda assim, buscar uma unidade entre seus filmes é um perigo. Há obras mais tradicionais, e outras completamente experimentais, com algumas até conseguindo encontrar um certo paralelismo – como ocorre nas trabalhos musicais Velvet Goldmine (1998) e Não estou lá (2007). No entanto, no geral, os seus filmes variam bastante no estilo e no conteúdo – ainda que, geralmente, trabalhem com personagens em condições excluídas ou marginalizadas. Contudo, podemos identificar que esses trabalhos variados são sempre...

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Mãe!

O novo filme de Darren Aronofsky é um dos mais controversos de 2017. Esquecido pelo Oscar 2018, mas lembrado pelo Framboesa de Ouro, Mãe! despertou amor ou ódio, no melhor estilo 8 ou 80. Que bom. Não há nada pior que a indiferença. Mas independente das reações radicais despertadas pelo filme, é sempre interessante quando o grande circuito cinematográfico recebe um lançamento polêmico desse tipo, que opta por uma narrativa não convencional e com grandes estrelas no elenco, carregando uma dose intensa de simbolismos e alegorias. Em minha interpretação, o filme funciona como um jogo de simbologias constantes, acionando...

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A Guerra dos Sexos

A Guerra dos Sexos é o tipo de filme que satisfaz mais pelo conteúdo do que pela linguagem. O novo trabalho de Jonathan Dayton e Valerie Faris – os mesmos diretores do jovem clássico Pequena Miss Sunshine – é um bom exemplo de empolgante obra esportiva, mostrando o processo de superação de uma atleta antes de uma disputa importante. Nesse aspecto, o filme é agradável e edificante na medida correta. Mas a obra consegue ter um pouco mais de personalidade ao abordar a homossexualidade de sua protagonista, quebrando, dentro de uma narrativa linear, alguns velhos estereótipos. Diante das premiações...

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O Touro Ferdinando

A proposta da animação Touro Ferdinando não é inovar em uma narrativa engenhosa que tenha apelo para todas as idades. O novo trabalho de Carlos Saldanha busca principalmente encantar o público infantil, por meio de personagens carismáticos e de uma mensagem que é clara e simples desde o início: siga a sua própria personalidade e não ligue para o que os outros pensam. O filme é uma grande produção, mas que – paradoxalmente – incita uma sentimento de frugalidade. Não espere os arroubos dramáticos de um Toy Story 3, nem a metalinguagem de um Tá Dando Onda, ou roteiro...

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Com Amor, Van Gogh

Em O olho interminável: Cinema e Pintura, o teórico Jacques Aumont afirma que “no cinema a pintura torna-se uma espécie de nostalgia ruim, um recurso regressivo e no mais das vezes gratuito[…] nada me entendia mais, creio, que a citação pictórica nos filmes.” Dito isto, acredito que Com Amor, Van Gogh foge de tal perigo. Não que a obra não realize uma citação pictórica. Pelo contrário, o filme é uma citação pictórica elevada à décima potência: 65 mil quadros com tinta a óleo, realizados por 125 artistas, foram animados, durante seis anos, ocasionando uma grande expectativa para o lançamento...

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