Autor: Frederico Cabala

Sobre

Frederico Cabala

Tem interesse principalmente por produções que tensionam as fronteiras entre ficção e vida, como o documentário de Eduardo Coutinho. Estuda mestrado em Literatura Brasileira na UFF.

Jogo de cena

Imagine o seguinte contexto: você é estrangeiro e pouco sabe a respeito do Brasil. Daí resolve assistir a um documentário em que pessoas contam suas próprias histórias de vida a um entrevistador e, de repente, são trocadas por outras que entram em cena e dão continuidade àquele testemunho anterior, sem nenhum aviso. Mudam-se as caras, mas os discursos seguem. E seguem sempre convincentes. Tudo isso em um palco de teatro. Confuso saber quem é quem, não? O que é real, o que é atuação? Parece que uma possível resposta dada por Jogo de cena (2007) é que esses dois...

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Um Dia na Vida

Dentro da filmografia de Coutinho, Um dia na vida (2010) pode ser tudo, menos o que a sentença sugere: algo cotidiano, repetitivo, cíclico. Pelo contrário, esse filme resulta de um experimento cinematográfico que se interpõe como um problema para os críticos que se propõem a decifrá-lo: como classificar, como aclarar… enfim, como lidar com um documentário tão inusitado na carreira do diretor e à primeira vista tão arredio a análises? Digamos logo do que se trata o filme: um amontoado de imagens captadas na TV aberta durante um dia comum do ano de 2009. Entre o amanhecer de 1º...

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A casa que Jack construiu

“Deixai toda a esperança, ó vós que entrais”: o mesmo alerta inscrito na entrada do inferno, descrito na Divina Comédia, poderia figurar como epígrafe do recente e dantesco filme de Lars von Trier. “A casa que Jack construiu”: no imaginário inglês, essa expressão remete às baladas populares medievais em que a sequência de frases se constrói com uma repetição do verso anterior mais algum acréscimo, ao infinito. Quase como um “fui à feira e comprei…” de nossas doces brincadeiras infantis. Nada infantil, nada doce, A casa que Jack construiu de Lars expressa a sinistra arquitetura do crime de um...

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Theodorico, O Imperador do Sertão

Este especial dedicado ao cinema de Eduardo Coutinho vem percorrendo e analisando quase todos os longas assinados pelo diretor, no intuito de abarcar diversos pontos que consideramos essenciais de seu documentário. O recorte desses “momentos decisivos”, entretanto, não pode deixar de incluir outras realizações que, embora mais breves, se destacam por prefigurar dispositivos mais tarde muito cultivados por Coutinho. Entre essas espécies de documentários-embriões, já vimos aqui o caso de O menino de Brodósqui (sobre o pintor Cândido Portinari), que foi feito para o Globo Repórter em 1980. Dois anos antes, Eduardo Coutinho realizara para o mesmo programa um...

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As Canções

Se há algo que cadencia a cultura brasileira, e podemos dizer que esse algo batuca aqui desde o comecinho de nossa formação, é a musicalidade. Não só projetamos artistas que são expressivamente admirados por onde vão, como também sentimos, ou melhor, ouvimos a tônica musical do país por onde passamos. Programas televisivos, propagandas, carros de som, vendedores ambulantes, barzinhos, trens, ônibus, metrôs, nas ruas mesmo. Às vezes o barulho é tanto e em tanto lugar que só mesmo uma lei para pausá-lo – vide o caso dos anônimos (e irritantes) djs do busão. Claro que isso varia conforme a...

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