Author: frederico-cabala

Sobre

Frederico Cabala

De Itabuna (BA), vive hoje em Niterói (RJ) e estuda mestrado em Literatura. Admira o cinema documental de Werner Herzog (O homem urso) e Eduardo Coutinho (Cabra marcado para morrer). Escreve no Cinemascope desde 2013.

Theodorico, O Imperador do Sertão

Este especial dedicado ao cinema de Eduardo Coutinho vem percorrendo e analisando quase todos os longas assinados pelo diretor, no intuito de abarcar diversos pontos que consideramos essenciais de seu documentário. O recorte desses “momentos decisivos”, entretanto, não pode deixar de incluir outras realizações que, embora mais breves, se destacam por prefigurar dispositivos mais tarde muito cultivados por Coutinho. Entre essas espécies de documentários-embriões, já vimos aqui o caso de O menino de Brodósqui (sobre o pintor Cândido Portinari), que foi feito para o Globo Repórter em 1980. Dois anos antes, Eduardo Coutinho realizara para o mesmo programa um...

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As Canções

Se há algo que cadencia a cultura brasileira, e podemos dizer que esse algo batuca aqui desde o comecinho de nossa formação, é a musicalidade. Não só projetamos artistas que são expressivamente admirados por onde vão, como também sentimos, ou melhor, ouvimos a tônica musical do país por onde passamos. Programas televisivos, propagandas, carros de som, vendedores ambulantes, barzinhos, trens, ônibus, metrôs, nas ruas mesmo. Às vezes o barulho é tanto e em tanto lugar que só mesmo uma lei para pausá-lo – vide o caso dos anônimos (e irritantes) djs do busão. Claro que isso varia conforme a...

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O Fio da Memória

Em outros posts do especial, enfatizamos como o cinema de Eduardo Coutinho, embora por vezes transpareça aparente improvisação e ausência de método, se constrói sobre ideias coerentes e segue pequenas regras impostas pelo próprio cineasta. Trata-se de uma verdade, mas provisória – como tudo na vida -, que não se sustenta diante de alguns casos particulares. O fio da memória (1991) é uma das exceções ao que poderíamos chamar de padrão Coutinho de documentário. Se fôssemos eleger o filme no qual menos se identifica os emblemas do diretor, certamente esse seria o mais votado. Pra começar, algo detestável para...

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Peões

É difícil pensar em Peões (2004), de Eduardo Coutinho, sem o seu díptico Entreatos (2004), de João Moreira Salles. O primeiro, uma busca pelos personagens das greves dos metalúrgicos do ABC, e o segundo, uma imersão na campanha presidencial de Lula em 2002, somados formam um panorama sobre o ambiente de esperança que tomou conta de boa parte do Brasil naquele ano. Não à toa, os filmes foram lançados em conjunto. A ideia inicial, segundo os próprios diretores, seria a de cada um cobrir uma campanha dos dois candidatos à frente nas pesquisas: Lula e José Serra. Essa ideia...

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Moscou

Que fazer após Jogo de Cena (2007), um dos filmes mais importantes da cinematografia nacional, aclamado por Jean-Claude Bernadet como “uma explosão transformadora da magnitude que tiveram no passado filmes de Eisenstein ou Godard”? Coutinho topou com essa questão maciça durante o desenvolvimento de Moscou (2009). E a topada foi incômoda. Se, como definiu Bernardet,  Jogo de Cena desestabilizou as noções de identificação entre subjetividade e corpos dos sujeitos falantes, pondo em xeque a própria concepção do gênero documental baseado em entrevistas, como ir além? De fato, ao mesclar discursos entre personagens que supostamente os vivenciaram e atrizes que...

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