Autor: Frederico Cabala

Sobre

Frederico Cabala

De Itabuna (BA), vive hoje em Niterói (RJ) e estuda mestrado em Literatura. Admira o cinema documental de Werner Herzog (O homem urso) e Eduardo Coutinho (Cabra marcado para morrer). Escreve no Cinemascope desde 2013.

O Fio da Memória

Em outros posts do especial, enfatizamos como o cinema de Eduardo Coutinho, embora por vezes transpareça aparente improvisação e ausência de método, se constrói sobre ideias coerentes e segue pequenas regras impostas pelo próprio cineasta. Trata-se de uma verdade, mas provisória – como tudo na vida -, que não se sustenta diante de alguns casos particulares. O fio da memória (1991) é uma das exceções ao padrão Coutinho de documentário. Se fôssemos eleger o filme no qual menos se identifica os emblemas do diretor, certamente esse seria o mais votado. Pra começar, algo detestável para Coutinho: o tema abrangente...

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Peões

É difícil pensar em Peões (2004), de Eduardo Coutinho, sem o seu díptico Entreatos (2004), de João Moreira Salles. O primeiro, uma busca pelos personagens das greves dos metalúrgicos do ABC, e o segundo, uma imersão na campanha presidencial de Lula em 2002, somados formam um panorama sobre o ambiente de esperança que tomou conta de boa parte do Brasil naquele ano. Não à toa, os filmes foram lançados em conjunto. A ideia inicial, segundo os próprios diretores, seria a de cada um cobrir uma campanha dos dois candidatos à frente nas pesquisas: Lula e José Serra. Essa ideia...

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Moscou

Que fazer após Jogo de Cena (2007), um dos filmes mais importantes da cinematografia nacional, aclamado por Jean-Claude Bernadet como “uma explosão transformadora da magnitude que tiveram no passado filmes de Eisenstein ou Godard”? Coutinho topou com essa questão maciça durante o desenvolvimento de Moscou (2009). E a topada foi incômoda. Se, como definiu Bernardet,  Jogo de Cena desestabilizou as noções de identificação entre subjetividade e corpos dos sujeitos falantes, pondo em xeque a própria concepção do gênero documental baseado em entrevistas, como ir além? De fato, ao mesclar discursos entre personagens que supostamente os vivenciaram e atrizes que...

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A Chegada

Por Frederico Cabala De largada, A Chegada parece operar a partir de uma narrativa linear. As primeiras frases do longa se referem a memórias afetivas de uma personagem que tenta organizar as lembranças em começo, meio e fim. Nesse sentido, o filme progride inicialmente em uma sequência temporal aparentemente cronológica. Mal sabemos que, à medida que avança, A Chegada descortina uma intrincada lógica temporal que cresce e se embaralha à medida que o filme se encaminha para o seu final que, pela perspectiva de tempo esférico desenvolvida, tanto faz: o fim pode ser o seu meio ou seu começo....

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Armas na mesa

Por Frederico Cabala Em um tempo no qual a política externa dos Estados Unidos se projeta em preocupações mundiais, o lançamento de Armas na mesa (Miss Sloane), dirigido por John Madden, nos leva a um ponto central igualmente preocupante da política interna daquele país: a indústria do lobby. Sem nada dever para o que tantas vezes costumamos ver como exclusividade brasileira, o lobby americano apresentado no longa se propulsiona por atitudes antiéticas e incide como uma marca bem mais atuante que os interesses públicos do país. O filme, todo construído em diversas camadas temporais, se detém sobre a vida...

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