Author: frederico-cabala

Sobre

Frederico Cabala

Tem interesse principalmente por produções que tensionam as fronteiras entre ficção e vida, como o documentário de Eduardo Coutinho. Estuda mestrado em Literatura Brasileira na UFF.

A casa que Jack construiu

“Deixai toda a esperança, ó vós que entrais”: o mesmo alerta inscrito na entrada do inferno, descrito na Divina Comédia, poderia figurar como epígrafe do recente e dantesco filme de Lars von Trier. “A casa que Jack construiu”: no imaginário inglês, essa expressão remete às baladas populares medievais em que a sequência de frases se constrói com uma repetição do verso anterior mais algum acréscimo, ao infinito. Quase como um “fui à feira e comprei…” de nossas doces brincadeiras infantis. Nada infantil, nada doce, A casa que Jack construiu de Lars expressa a sinistra arquitetura do crime de um...

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Theodorico, O Imperador do Sertão

Este especial dedicado ao cinema de Eduardo Coutinho vem percorrendo e analisando quase todos os longas assinados pelo diretor, no intuito de abarcar diversos pontos que consideramos essenciais de seu documentário. O recorte desses “momentos decisivos”, entretanto, não pode deixar de incluir outras realizações que, embora mais breves, se destacam por prefigurar dispositivos mais tarde muito cultivados por Coutinho. Entre essas espécies de documentários-embriões, já vimos aqui o caso de O menino de Brodósqui (sobre o pintor Cândido Portinari), que foi feito para o Globo Repórter em 1980. Dois anos antes, Eduardo Coutinho realizara para o mesmo programa um...

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As Canções

Se há algo que cadencia a cultura brasileira, e podemos dizer que esse algo batuca aqui desde o comecinho de nossa formação, é a musicalidade. Não só projetamos artistas que são expressivamente admirados por onde vão, como também sentimos, ou melhor, ouvimos a tônica musical do país por onde passamos. Programas televisivos, propagandas, carros de som, vendedores ambulantes, barzinhos, trens, ônibus, metrôs, nas ruas mesmo. Às vezes o barulho é tanto e em tanto lugar que só mesmo uma lei para pausá-lo – vide o caso dos anônimos (e irritantes) djs do busão. Claro que isso varia conforme a...

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O Fio da Memória

Em outros posts do especial, enfatizamos como o cinema de Eduardo Coutinho, embora por vezes transpareça aparente improvisação e ausência de método, se constrói sobre ideias coerentes e segue pequenas regras impostas pelo próprio cineasta. Trata-se de uma verdade, mas provisória – como tudo na vida -, que não se sustenta diante de alguns casos particulares. O fio da memória (1991) é uma das exceções ao que poderíamos chamar de padrão Coutinho de documentário. Se fôssemos eleger o filme no qual menos se identifica os emblemas do diretor, certamente esse seria o mais votado. Pra começar, algo detestável para...

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Peões

É difícil pensar em Peões (2004), de Eduardo Coutinho, sem o seu díptico Entreatos (2004), de João Moreira Salles. O primeiro, uma busca pelos personagens das greves dos metalúrgicos do ABC, e o segundo, uma imersão na campanha presidencial de Lula em 2002, somados formam um panorama sobre o ambiente de esperança que tomou conta de boa parte do Brasil naquele ano. Não à toa, os filmes foram lançados em conjunto. A ideia inicial, segundo os próprios diretores, seria a de cada um cobrir uma campanha dos dois candidatos à frente nas pesquisas: Lula e José Serra. Essa ideia...

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