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Filme Noir

Por Juliana Mangorra

Como definir o cinema Noir? Pelo conteúdo ou pela estética? Roteiros complexos com finais indefinidos, uso de flashbacks, sobreposições narrativas, efeitos visuais e de iluminação chiaroscuro, cenários noturnos, presença de personagens arquetípicos – como a femme fatale e o detetive. Os diálogos breves e sarcásticos eram inspirados em folhetins baratos e romances policiais dos Estados Unidos – O próprio nome fazia alusão a uma publicação desse tipo chamada Série noire. O termo “Film Noir” foi dado por críticos franceses, ao perceberem que os filmes americanos exibidos na França após a ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial seguiam uma mesma temática. As histórias se referem ao submundo do crime e da corrupção, onde há uma ausência de confiança e caráter entre as pessoas. O período auge foi de 1941 a 1958, mas há também produções consideradas do gênero de outras épocas, anteriores e posteriores. É um estilo cinematográfico tão abrangente, que foi difícil escolher apenas esses seis filmes para o #5+1.

Pacto de Sangue (1944 – Billy Wilder)

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No início de Pacto de Sangue, Walter Neff (Fred MacMurray) registra num gravador, fazendo uma confissão ao seu chefe, que assassinou o marido de Phyllis (Barbara Stanwyck). “Matei por dinheiro e por uma mulher. Não consegui o dinheiro, nem a mulher.” Diferente dos “mocinhos”, o protagonista de Pacto de Sangue é corrupto e mercenário, que sempre tenta tirar vantagem de tudo. Por isso, acaba caindo com facilidade na lábia da femme fatale. Neff é um corretor de seguros que planeja a morte do sr. Dietrichson (Tom Powers) de forma a parecer um acidente. Desse modo, o seguro seria obrigado a pagar o dobro da indenização.

À Beira do Abismo (1946 – Howard Hawks)

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O detetive Phillip Marlowe (Humphrey Bogart) é contratado por Sternwood (Charles Waldron), que está sendo chantageado por causa de uma de suas filhas. Arthur Gwynn Geiger (Theodore von Eltz) exige que o milionário lhe pague uma excessiva quantia, devido a uma suposta dívida de jogo de Carmen (Martha Vickers). Antes de sair da mansão, Vivian (Lauren Bacall), a filha mais velha, pede a Marlowe que encontre o amigo de seu pai, Shawn Regan. À Beira do Abismo tem um enredo complicado, deixando a interpretação de alguns acontecimentos sob a imaginação do público.

Chinatown (1974 – Roman Polanski)

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O detetive particular Jake Gittes (Jack Nicholson) é contratado por Evelyn Mulwray (Faye Dunaway) para investigar um caso de adultério e acaba se metendo no universo de crimes, corrupção e violência em Chinatown. Assim, ele descobre um esquema financeiro de distribuição de águas, além de várias revelações que envolvem os personagens. Embora sua produção seja dos anos 1970, Chinatown é ambientado em 1937 e segue o mesmo padrão dos filmes de detetive, clássicos do cinema Noir.

Gilda (1946 – Charles Vidor)

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Um personagem inconfundível do cinema Noir é a femme fatale. Deslumbrante e misteriosa, ela usa sua sensualidade para conseguir o que deseja na maioria das vezes, é o pivô de toda a trama. No longa, Johnny Farrell (Glenn Ford) é um apostador que trapaceia para ganhar os jogos. Após ter sua vida salva por Ballin Mundson (George MacReady), é convidado a conhecer seu cassino clandestino em Buenos Aires. Em pouco tempo, tornam-se amigos e Johnny é promovido a gerente do local. Mas os problemas começam a surgir quando Ballin volta de viagem casado e lhe apresenta sua esposa Gilda (Rita Hayworth), que é um antigo amor do passado de Johnny.

Cães de Aluguel (1992 – Quentin Tarantino)

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Seis bandidos são contratados pelo criminoso Joe Cabot (Lawrence Tierney) para fazer um roubo de diamantes. No entanto, o plano é mal sucedido, porque um desses homens – que se conhecem apenas pelas cores usadas como codinomes – é um policial disfarçado que traiu o grupo. A história é uma sequência de flashbacks, que mostram a versão de cada cão de aluguel.

Noir além dos clichês…

Uma Cilada para Roger Rabbits (1988 – Robert Zemeckis)

"Who Framed Roger Rabbit" Bob Hoskins © 1988 Touchstone

O detetive Eddie Valiant (Bob Hoskins) é contratado para descobrir se a mulher de Roger Rabbit, a sensual Jessica, está ou não traindo seu marido. Só tem um pequeno detalhe: o casal é um desenho animado! Enquanto Roger é um coelho, astro dos filmes de Baby Herman, sua esposa Jessica é uma mulher fatal – inspirada nas atrizes Rita Hayworth, Veronica Lake e Lauren Bacall, com a voz de Kathleen Turner.

Uma Cilada para Roger Rabbits é uma “comédia noir”, onde atores de carne e osso interagem o tempo todo com animações. O diretor Robert Zemeckis conseguiu reunir personagens infantis da Disney, Warner Bros. e de outros estúdios numa produção direcionada para o público adulto. É possível assistir a uma disputa entre o Pato Donald e o Patolino para ver quem consegue tocar piano melhor.

Sobre Juliana

Jornalista, atriz e apaixonada pela sétima arte. Adora os filmes clássicos, mas não dispensa as novidades do mundo do cinema. Fã de Audrey Hepburn, Charles Chaplin, Pedro Almodóvar, Tim Burton e dos suspenses de Alfred Hitchcock.
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