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Cinemascope - Psicose

Finais sem noção

Por Lívia Fioretti

Quem nunca vivenciou a experiência de assistir a um filme com um final completamente sem noção? Daquele tipo onde os créditos entram e você se mantém imóvel na poltrona/cadeira do cinema tentando digerir o que viu, seguido da clássica pergunta: “mas, é isso?”. Pois é caro cinéfilo, propositalmente ou não, todos nós já passamos por isso pelo menos uma vez na vida. Considere esta #5+1 um aviso de filmes que você (provavelmente) não vai entender o final logo de primeira.

 

Aviso: contém spoilers inevitáveis.

Nazarin (1959 – Luis Buñuel)

Cinemascope - Nazarin

Esse filme é tão ambíguo, mas TÃO ambíguo, que recebeu elogios tanto de grupos ateus quanto do Vaticano, por exemplo. Mesmo sendo um dos filmes menos surrealistas de Buñuel é, sem sombra de dúvidas, um dos mais sensíveis. Nazário (Francisco Rabal) é um bondoso padre espanhol que vive em um cortiço na Cidade do México com o objetivo de ajudar os necessitados…Após uma longa jornada que envolve a salvação de duas prostitutas, o sacerdote termina acorrentado a prisioneiros segurando o abacaxi de uma velha senhora enquanto marcha .-.

Psicose (1960 – Alfred Hitchcock)

Cinemascope - Psicose

Nesse daqui eu nem preciso me desculpa por contar o final. Uma coisa interessante de ressaltar em Psicose é que o choque geral começou  quando Hitchcock matou a protagonista na primeira hora de filme (será que George R. R. Martin se inspirou para criar Game of Thrones? Brincadeirinha). Bom, deixa eu te contar um segredo: aquele mocinho bonzinho e atencioso chamado Norman Bates, sabe? Ele é a mãe! Não, ela não está viva (*trilha sonora da cena do banho*).

 

Blow Up: Depois daquele beijo (1966 – Michelangelo Antonioni)

Cinemascope - Blow Up

Inspirado no conto Las Bablas del Diablo, de Julio Cortázar, e na vida do famoso fotógrafo britânico David Bailey, o filme conta a história de jovem que se envolve em um assassinato ao fotografá-lo acidentalmente. Além de ser um filme de tirar o fôlego, o final prova que Thomas (David Hemmings) também tem a capacidade de ser um excelente mímico.

2001: Uma Odisseia no Espaço (1968 – Stanley Kubrick)

Cinemascope - 2001 Uma odisseia no espaço

Preciso avisar que escolher apenas um dos filmes de Kubrick foi uma tarefa difícil considerando que finais não literais são a especialidade do diretor. Tudo bem que o filme por si só não é de fácil digestão, mas a partir do momento em que Bowman deixa a Discovery One no casulo e é sugado por feixes de luzes coloridas tudo fica ainda mais especial. O resultado? Efeitos cosmológicos e alienígenas coloridos, até o momento em que o (idoso) astronauta é transformado em um feto humano flutuante pelo monólito preto. É papo certo para uma discussão semiótica.

Chinatown (1974 – Roman Polanski)

Cinemascope - Chinatown

Jake Gittes (Jack Nicholson) é um detetive particular que se envolve em uma rede de mentiras, corrupção, incesto e assassinatos ao ser contratado por Evelyn Mulwray para investigar o suposto adultério de seu marido. Gittes descobre que a trama envolve um grande desvio no fornecimento de água de Los Angeles e cada vez que se aproxima de um homem chamado Noah Cross, pessoas ao seu redor são mortas. Após uma série de absurdos, o filme termina com um policial aconselhando o detetive: “esqueça, Jake. Isso é Chinatown”… WHAT?

 

E o filme além dos clichês…                                        

Pasqualino Sete Belezas (1975 – Lina Wertmüller)

Cinemascope - Pasqualino Sete Belezas

O filme conta a história de Pasqualino, um homem comum e honrado, que acidentalmente mata o amante de uma de suas (horrorosas) sete irmãs e é obrigado a servir no exército como punição. Não suportando o envolvimento com a Segunda Guerra Mundial, Pasqualino é capturado pelos nazistas ao fugir, sendo enviado a um campo de concentração. A trama se desenrola mostrando as ações que o italiano toma com o objetivo de sobreviver: desde estuprar um paciente do asilo onde fica confinado até seduzir a obesa comandante alemã. Mais que uma questão de persistência, o filme termina com a provocação sobre o Pasqualino que existe em cada um de nós.

Sobre Lívia

Publicitária paulistana que largou tudo e está tentando escrever o roteiro da sua vida em Barcelona
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