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Cinemascope- Carmem Miranda- Marilyn Monroe

#Homenagem

No dia 5 de agosto o cinema perdeu dois grandes nomes: Carmen Miranda e Marilyn Monroe. Cada um deles marcou a época em que viveu e atuou, deixando para fãs e espectadores do mundo todo vastas e ricas filmografias. O Cinemascope prestou uma homenagem à eles, com um post especial que relembra a trajetória de cada um.  Esperamos que gostem, boa leitura!

CARMEN MIRANDA (1909 – 1955)

Por Joyce Pais

Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu em Marco de Canaveses (Portugal), em 1909, e foi para o Rio de Janeiro com menos de um ano de idade. Por seu estilo peculiar foi considerada precursora do tropicalismo, movimento cultural brasileiro surgido na década de 1960. O apelido, Carmen, surgiu no Brasil, por conta do gosto que seu pai, um barbeiro, tinha por óperas.

Seu primeiro emprego foi aos 14 anos numa loja de gravatas, depois numa chapelaria. O motivo de sua demissão teria sido por passar o tempo cantando; segundo seu biógrafo Ruy Castro, ela cantava por influência da irmã mais velha, Olinda, e que assim atraía mais clientes.

O ano de 1929 foi decisivo para o começo de sua carreira. Carmen foi apresentada ao compositor Josué de Barros, que encantado com o seu talento passou a promovê-la em editoras e teatros. No mesmo ano, gravou seus primeiros discos com o samba Não vá sim’bora e Se o samba é moda. Posteriormente, Triste Jandaya e Dona Balbina ou Buenas tarde muchachos.

Mas foi com o sucesso da marcha Pra você gostar de mim (“Taí”) que foi apontada como a “maior cantora brasileira”. Em 1933 assinou com a rádio Mayrink Veiga com o salário de dois contos de réis (equivalente a cerca de R$ 1000, atualmente), foi a primeira cantora de rádio a merecer contrato, quando o costumava-se pagar cachê por participação. No mesmo ano fez sua primeira turnê internacional, apresentando-se em Buenos Aires. Três anos mais tarde assinou com a Tupi, por cinco contos de reis por mês.

Em 1936, estreou o filme Alô, Alô Carnaval, no mesmo ano ela e sua irmã, Aurora Miranda, integraram o elenco do Cassino da Urca, onde depois de uma apresentação para o astro de Hollywood Tyrone Power, 1938, surgiu a oportunidade e ir aos EUA, mas como recebia um altíssimos salário para os padrões da época, não se interessou. Um ano mais tarde, depois de uma apresentação no transatlântico Normandie, assinou contrato com o empresário norte americano Lee Shubert, que só estava interessado em Carmen, mas ela fazia questão de levar o grupo musical Banda da Lua; ele acabou cedendo.

Em 1939, Carmen estreou no espetáculo musical “Streets of Paris”, em Boston, com sucesso de público e crítica. Um ano depois, foi convidada a se apresentar para o presidente Franklin D. Roosevelt durante um banquete na Casa Branca. Em 1940, retorna ao Brasil e é acolhida com carinho pelos cariocas. Porém, numa apresentação do Cassino da Urca é vaiada por políticos do Estado Novo, que estavam presentes no local e a consideraram “americanizada”. Entre os críticos, muitos eram simpatizantes de correntes políticas de viés esquerdista, contrária a dos Estados Unidos. Ela respondeu com humor à constrangedora ocasião.

Nessa época gravou seus últimos discos no país, quando voltou para os EUA gravou a marca de seus sapatos e mãos na calçada da fama do Teatro Chinês de Los Angeles.

Enre 1942 e 1953 Carmen atuou em 13 filmes em Hollywood e nos mais renomados programas de rádio, TV, casas noturnas, cassinos e teatros norte-americanos. A Política da Boa Vizinhança implementada pelos EUA incentivou a imigração de artistas latino-americanos, apesar de ter chegado nos EUA antes da criação dessa estratégia, Carmen foi identificada como a artista de maior sucesso do projeto.

Carmen atingiu marcas impressionantes durante sua trajetória. Em 1946, era a artista mais bem paga de Hollywood e a que mais pagava imposto de renda nos EUA. Antes de casar-se com David Sebastian, namorou astros e teve casos com atores como John Wayne e Dana Andrews, e o músico brasileiro Aloysio de Oliveira, do Bando da Lua.

Apontado por biógrafos e estudiosos como o ponto crucial de sua decadência, seu casamento foi marcado por crise, violência e transtornos. Seu marido, antes um empegado de produtora de cinema, passou a administrar a carreira de Carmen. Também era alcoólatra e poderia ter contribuído para o posterior vício de Carmen em álcool e barbitúricos. Apesar do sofrimento, ela não aceitava o desquite, pois era católica convicta. Em 1948 engravidou e, após uma apresentação sofreu um aborto espontâneo, nunca mais conseguiu engravidar, o que agravou suas crises emocionais e psicológicas, bem como o abuso de bebidas e remédios sedativos.

Carmen começou a fazer uso de barbitúricos para dar conta de uma agenda extenuante e log tornou-se dependente. Médicos americanos diagnosticaram os sintomas causados pelas drogas que tomava como estafa, mas quando veio ao Brasil, após uma ausência de 14 anos, seu médico constatou a dependência química e tentou desintoxicá-la – ela ficou internada numa suíte do Copacabana Palace, embora tenha melhorado, não se livrou dos remédios. Assim, quando retornou aos EUA, em 1955, retomou as apresentações, fez uma turnê em Cuba e Las Vegas e voltou a fumar e beber mais.

Em agosto do mesmo ano, Carmen gravou o programa televisivo do comediante Jimmy Durante. No seu número de dança, sofreu um desmaio, recuperou-se e terminou o número. Na mesma noite, depois de receber amigos em sua casa em Beverly Hills, subiu para o quarto para dormir. Na manhã seguinte seu corpo foi encontrado por sua mãe; um ataque cardíaco fulminante tirou-lhe a vida aos 46 anos.

Sua irmã Aurora recebeu a notícia na madrugada dada por um telefonema do marido de Carmen, ela se desesperou e dispersou a notícia para as rádios e jornais. Heron Domingues, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro foi o primeiro a noticiar a morte em edição extraordinária do Repórter Esso.

Sessenta mil pessoas foram ao seu velório realizado no saguão da Câmara Municipal do RJ, o cortejo fúnebre até o cemitério foi acompanhado por cerca de meio milhão de pessoas que cantavam a música “Taí”, um de seus maiores sucessos, mostrando que seu legado seria eterno. No ano seguinte, o prefeito do RJ assinou um decreto criando o Museu Carmen Miranda, somente inaugurado em 1976. Hoje, uma herma em sua homenagem está localizada no Largo da Carioca.

MARILYN MONROE (1926-1962)

 

Por Aline Fernanda

 

Norma Jeane Mortenson, como foi batizada, nasceu em 1 de junho de 1926, em Los Angeles. Marilyn não conheceu seu pai biológico, o que a abalou durante toda sua vida. Sua mãe foi internada em um hospital psiquiátrico e por conta disso Marilyn passou grande parte de sua infância na casa de parentes e orfanatos. Em 1937 foi morar na casa de Grace Mckee Goddard, amiga de sua família, em 1942, como o marido de Grace tinha sido transferido e o casal não tinha condições financeiras de levá-la com eles, Marilyn, com dezesseis anos, tinha duas opções: voltar para o orfanato ou casar-se com seu namorado.

 

No dia 19 de julho de 1942 casou-se com Jim Dougherty, 21 anos, com quem namorava há seis meses. Jimmy entrou para a marinha e se mudou para o Pacífico Sul, Marilyn depois da partida do marido começou a trabalhar na fábrica Rádio Plane Munition. Alguns meses depois foi descoberta por Davis Conover enquanto o fotógrafo fazia foto de mulheres que ajudavam no esforço de guerra. Ela posou para uma seção de fotos e ele propôs trabalhos como modelo. Dois anos depois tornou-se modelo respeitável e estampou seu rosto em várias capas de revistas. A então modelo começou a estudar o trabalho de Jean Harlow e Lana Tuner, lendárias atrizes, e inscreveu-se em aulas de teatro, sonhando com o estrelato.

Em 1946 com o retorno de Jimmy Marilyn precisava fazer outra escolha: sua carreira ou casamento. O divórcio aconteceu em junho de 1946, por conta da contrariedade do marido quanto sua carreira de atriz. Em agosto do mesmo ano assinou seu primeiro contrato com a Twentieth Century Fox com um salário de 125 dólares por semana. Pouco tempo depois tingiu seu cabelo de loiro claríssimo e escolheu Marilyn Monroe como seu nome artístico, Monroe era o sobrenome de sua avó e Marilyn o nome mais chique da época.Começou a carreira com pequenos filmes, mas seu talento para comédia somada com sua sensualidade e presença em alguns eventos renderam papéis em grandes filmes de sucesso,  tornando-a uma das mais populares estrelas da década de 50. Com sua beleza deslumbrante era mais do que um símbolo sexual. Sua aparente vulnerabilidade e inocência, junto com sua sensualidade inata a tornaram amada no mundo inteiro. Ao mesmo tempo em que era uma menina frágil e inocente, era uma mulher dominante e irresistivelmente sedutora.

Seu primeiro papel no cinema foi uma participação não creditada no Sua alteza, a Secretária (1947), em 1950 contracenou rapidamente com Groucho Marx em Loucos de Amor, nesse mesmo ano conseguiu um pequeno, porém influente papel no suspense O segredo das Jóias e o papel como Claudia Caswell em A Malvada estrelado por Bette Davis e indicado em várias categorias do Oscar. A partir dai participou de filmes como Sempre Jovem (1942), O inventor da Mocidade (1952), Almas Desesperadas (1952). Foi depois do filme Torrentes de Paixão (1953) que Marilyn se tornou estrela. Seu personagem era Rose Loomis, uma jovem e bela esposa que planeja matar seu velho e ciumento marido estrelado por Joseph Cotten.

O papel em Torrentes de Paixão lhe rendeu, no mesmo ano, papéis principais em Os Homens Preferem as Loiras e Como agarrar um Milionário. Ela foi escolhida pela revista Photoplay como melhor atriz iniciante de 1953. Aos 27 anos de idade era a loira mais amada de Hollywood.

Em 1954 casou-se com seu namorado, o jogador de beisebol Joe DiMaggio. Durante a lua de mel em Tóquio, a estrela fez uma performance para os militares que serviam na Coréia. Sua presença causou furor e Joe se mostrava claramente incomodado com os militares desejando sua mulher. Sua beleza chamava atenção e isso causava brigas e ciúmes com todos os homens com os quais se relacionou.

Sua fama e sua posição de símbolo sexual tornaram-se um problema em sua relação com DiMaggio, nove meses depois se divorciaram e atribuíram a separação a “conflitos entre carreiras” e permaneceram bons amigos até a morte da atriz.

Em 1955 Marilyn queria se livrar da imagem de furacão loiro que tinha aberto portas para seu estrelato, mas considerava já ter a experiência e oportunidades necessárias, queria conseguir respeito com o seu trabalho. Gostaria de mostrar que poderia fazer mais do que atiçar o imaginário dos homens. Mudou-se para Nova York para estudar na escola de atores de Lee Strasberg, o Actor´s Studio. Em 1956 abriu sua própria produtora, Marilyn Monroe Productions. A empresa produziu os filmes Nunca fui Santa (1956) e O Príncipe Encantado (1957). Os dois filmes possibilitaram mostrar seu talento e versatilidade como atriz. Em 1959 brilhou em Quanto mais quente melhor, a atuação lhe rendeu um Globo de Ouro na categoria “Melhor atriz de Comédia”.

Em julho de 1956 casou-se casou-se com seu novo namorado, o escritor Arthur Miller. O casal se conheceu através de Lee Strasberg. Enquanto estavam casados, em 1961, o dramaturgo escreveu o papel de Roslyn Taber em Os Desajustados, especialmente para a esposa. Coestrelado por Clark Gable, o filme foi o último completo da estrela e a despedida das telas de Gable.

Na premiação do Globo de Ouro de 1962 foi nomeada a “Personalidade feminina favorita de todo Cinema Mundial.”

O casamento com Miller acabou em divorcio em 1961 no México, a data foi escolhida numa tentativa de manter a separação fora das manchetes já que na mesma data John F. Kennedy estava tomando posse da presidência dos Estados Unidos, a tática não funcionou e o divórcio rendeu muitas capas de revistas e jornais e foi alvo de escândalos.

Marilyn já era amante de Kennedy muito antes dele entrar na Casa Branca. Kennedy ficou obcecado por ela durante sua recuperação de uma operação na coluna. O caso entre eles teve inicio depois de seu divórcio com Joe DiMaggio e continuou enquanto ela esteve casada com Arthur Miller. Eles se encontravam na suíte dele no Carlyle Hotel, em Nova York, ou na casa de praia de Peter Lawford, em Santa Monica.

A atriz sabia que seu romance com o presidente era apenas relacionado à estrela de cinema e não à mulher que era. Ele pretendia se livrar dela com elegância, pois o romance era mal visto pelos poderosos da política. Marilyn resolveu dar um último presente ao presidente, um momento de glória e cantou “Feliz Aniversário, senhor presidente” na sede do Partido Democrata.

Marilyn faleceu na manhã de 5 de agosto de 1962, aos 36 anos, enquanto dormia. As causas de sua morte são um mistério até hoje. Suicídio? Assassinato? Morte acidental? O fato é que Monroe escreveu seu nome na história.

Sobre Joyce

Fundadora e editora do Cinemascope, jornalista, paulistana, fotógrafa, apaixonada por David Lynch, Pedro Almodóvar, Marilyn Monroe e café.
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