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Cinemascope - Loucuras de verão

Loucuras de Verão

Por Breno Bringel

De tempos em tempos o cinema apresenta filmes que acabam por representar registros definitivos sobre os costumes de determinada época. Foi assim, recentemente, com A Rede Social, em 2010, e foi assim, em 1973, quando George Lucas lançou Loucuras de Verão, um verdadeiro retrato dos costumes dos jovens durante o início da década de 1960.

Ambientado no ano de 1962, o filme narra a última noite de verão de dois amigos, antes de irem para a Universidade. Assim, entre encontros amorosos, corridas de carro, e situações inusitadas, o roteiro, escrito pelo próprio Lucas, baseado em memórias reais de sua adolecência, tece um grande mosaico sobre a cultura e os costumes da época.

George Lucas, inclusive, imprime um tom documental ao filme, seja no uso de lentes específicas, seja nos movimentos de câmera, extraindo dos atores a maior naturalidade possível, sobretudo em improvisações. O exaustivo processo de filmagem também ajudou nesse resultado final, pois pelo fato do longa ter sido filmado sempre a noite, durante 29 dias, e com um baixo orçamento, o aparente cansaço dos personagens no decorrer do filme era, na verdade, reflexo do cansaço real dos atores, que estavam a quase um mês sem uma noite completa de sono.

Cinemascope - Loucuras de verão 1

Por ter sido filmado praticamente todo em cenas externas, o design de produção exerce um papel importante no longa, ao recriar aquele período da história, onze anos antes de quando o filme foi rodado. Ajudam, ainda, a consolidar essa recriação os figurinos típicos da época e a excelente fotografia em Technicolor.

Outro fator que ajuda na consolidação do clima sessentista do filme é a sua trilha sonora. Apesar de não possuir uma trilha instrumental, o longa traz uma magnífica trilha sonora incidental, composta de clássicos da época cantados por Elvis Presley, The Platters, Chuck Berry e outros. Tal trilha ainda conta com a participação do lendário radialista norte-americano Wolfman Jack, que, inclusive, faz uma ponta como ele mesmo.

Completando o longa, o ótimo elenco encabeçado pelos jovens Richard Dreyfuss e Ron Howard confere uma levesa ao filme, justamente por transmitirem para a tela suas inexperiências e inseguranças como estreantes no cinema, humanizando ainda mais aqueles personagens.

Encerrando a projeção com letreiros mostrando, afinal, como cada um dos personagens se saíram no futuro, quase como se aqueles personagens de fato tivessem existido, Lucas obtém êxito ao retratar a sua adolecência de maneira real, porém evocativa e nostálgica.

 VOCÊ NÃO SABIA QUE…

Cinemascope - Loucuras de verão poster– Harrison Ford recusou cortar seu cabelo para o filme, por considerar seu papel muito pequeno. Como alternativa, o ator optou por usar um chapéu de cowboy durante toda a filmagem;

– Cerca de 300 carros foram utilizados nas filmagens;

– O restaurante Mel’s Drive-in não estava mais em funcionamento quando se iniciaram as filmagens do longa, tendo sido reaberto apenas para este propósito, e demolido logo em seguida ao término das filmagens;

– George Lucas pretendia usar cerca de 80 músicas na trilha do filme. Mas, devido ao elevado valor dos direitos autorais, esse número teve que ser reduzido praticamente à metade. Todas as músicas executadas no filme, inclusive, encontram-se descritas no roteiro;

– O nome de Francis Ford Coppola como produtor foi fundamental para a liberação do orçamento do filme, no valor de 775 mil dólares. Coppola não gostava do título original do filme e chegou a sugerir outros nomes, tais como “Another Slow Night in Modesto” ou “Rock Around the Block”, não conseguindo convencer Lucas, que manteve o título já existente;

– O longa foi indicado aos Oscars de Melhor Filme, Direção, Montagem, Roteiro Original e Atriz Coadjuvante para Candy Clark, que interpreta a personagem Debbie Dunham.

– O número da placa do carro do personagem John Milner é THX-138, uma referência ao primeiro filme de George Lucas, THX 1138. Em uma cena do longa podemos ver, também, em um letreiro de cinema, o nome Dementia 13, uma referência ao primeiro filme de Coppola;

– O longa teve uma sequência, lançada em 1979, intitulada More American Graffiti,  com George Lucas figurando apenas como produtor executivo.

Veja o trailer:

Sobre Joyce

Fundadora e editora do Cinemascope, jornalista, paulistana, fotógrafa, apaixonada por David Lynch, Pedro Almodóvar, Marilyn Monroe e café.
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