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2 mais 2

Por Mario Neto

Ao abordar de uma maneira leve e divertida, um tema tão delicado e controverso – as subversões das práticas sexuais tradicionais em detrimento aos “dogmas” familiares relacionados ao sexo, destacado aqui através da prática do swing ou troca de casais – o diretor argentino Diego Kaplan propõe uma reflexão importante sobre os preconceitos que envolvem o tema, e ainda os conflitos e problemas que uma relação a dois podem apresentar.

O enredo do filme é centrado no casal Diego (Adrián Suar) e Emília (Julieta Diaz), pacatos e tradicionais, com um filho de 14 anos e sucesso na vida profissional, mas que passam por um período de estagnação do seu relacionamento, em especial no congelamento de sua vida sexual. Durante um jantar comemorativo, com o casal de amigos de longa data Ricardo (Juan Minujin) e Betina (Carla Peterson), Emília descobre que estes são adeptos da prática do swing, chocada e instigada, ela vislumbra a possibilidade de salvar seu casamento tentando convencer seu marido a participar do universo da troca de casais. De primeiro instante Diego, extremamente conservador, se mostra relutante e receoso, contudo, aos poucos, por grande amor a sua mulher e por insistência da mesma e da mulher de seu amigo Betina, vai desenvolvendo um interesse, culminando em situações desconfortáveis, inusitadas e engraçadas.

Dois mais Dois apresenta um ritmo quase que perfeito nos dois primeiros atos, para as inserções das piadas, a montagem feita de maneira inteligente é o principal fator que determina tal precisão. Cenas intercaladas entre os dois casais funcionam de maneira cadenciada e coesa. Entretanto, o longa-metragem peca no desenvolvimento do terceiro ato, e a montagem rítmica passa a ser arrastada e monótona, tornando o final quase que entediante corroborado por uma situação dramática desnecessária.

Os pontos positivos estão principalmente no entrosamento e no timing entre os atores para as progressões das piadas, com destaque para o talentoso Adrián Suar, dando vida a um Diego egocêntrico, teimoso, desconfortável e extremamente engraçado. Na composição das cenas de sexo feitas de maneira não apelativa e natural, na escolha da trilha sonora irônica em tais momentos, remetendo ao um filme pornô dos anos 70. E ainda na já mencionada montagem (até o fim do segundo ato).

O ponto negativo substancial reside na tentativa falha de dramatizar a situação no final do filme, ou seja, no terceiro ato a trama fica pedante e enferrujada, tentando se levar muito a sério, dando a impressão de dificuldade e imperícia da capacidade do diretor amarrar o encerramento da projeção.

Analisando em um contexto geral, Dois mais Dois, triunfa na proposta de divertir e levantar reflexões e questionamentos para temas tabus, mas que falha ao tentar imprimir tons dramáticos, os quais não cabiam. Ainda sim, é uma experiência que vale a pena ser vivida.

 

2 mais 22 mais 2 (Dos más dos)

Ano: 2012

Diretor:  Diego Kaplan.

Roteiro: Juan Vera.

Elenco Principal: Carla Peterson, Adrián Suar, Julieta Díaz, Juan Minujín

Gênero: Comédia.

Nacionalidade: Argentina.

 

 

 

 

 

 

Veja o trailer:

 

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Por Mario Neto Ao abordar de uma maneira leve e divertida, um tema tão delicado e controverso - as subversões das práticas sexuais tradicionais em detrimento aos “dogmas” familiares relacionados ao sexo, destacado aqui através da prática do swing ou troca de casais - o diretor argentino Diego Kaplan propõe uma reflexão importante sobre os preconceitos que envolvem o tema, e ainda os conflitos e problemas que uma relação a dois podem apresentar. O enredo do filme é centrado no casal Diego (Adrián Suar) e Emília (Julieta Diaz), pacatos e tradicionais, com um filho de 14 anos e sucesso na…

Avaliação geral

Avaliação geral

3,5

Sobre Mario

Comunicólogo, aspirante a cineasta, roteirista, cinéfilo apaixonado, influenciado por Kubrick, Truffaut, Bergman, Von Trier, Haneke, Irmãos Coen, Lynch, Tarantino, Glauber Rocha e Cluadio Assis, Basquiat, Banksy, Bukowski e Nietzsche, gosto de cerveja, longas discussões e desenhos animados.
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