Home / Críticas / 47 Ronins
Cinemascope-47-ronins (9)

47 Ronins

Por Ana Carolina Diederichsen

Confesso que a terminologia “Ronin” pra mim não era inédita, graças ao filme de 1998 com Robert De Niro e Jean Reno que leva esse nome. Mas não conhecia a lenda dos 47 Ronins, que é vendida como uma das mais fortes da cultura japonesa. O filme, com roteiro de Chis Morgan (responsável por 5 dos sete Velozes e Furiosos), pretende corrigir a falta de divulgação da lenda para o mundo. Com Keanu Reeves liderando o elenco, o filme mistura fantasia e realidade, numa proporção que parece não ter resultado muito positivo.

Temos a história do garoto mestiço, Kai (Reeves), que foi encontrado pelo líder de uma respeitável aldeia. Lorde Asano, decide acolher como servo o jovem, que jura lealdade eterna a seu salvador. Como o destino é atroz, Kai e Mika, filha de Asano, apaixonam-se e vivem um amor impossível. Por ser mestiço, Kai ainda sofre com a rejeição e preconceito de todos da aldeia, que não reconhecem sua incrível habilidade em lutas e conhecimentos sobre a floresta, que beiram o sobrenatural.

Em função de um ditador ambicioso, auxiliado por uma feiticeira misteriosa, lorde Asano é condenado e forçado a cometer o seppuku (suicídio) para defender sua honra e de sua família. A aldeia de Ako possui diversos samurais, guerreiros de origem nobre que defendem seu senhor, Asano. Cientes de que seu nobre lorde foi injustiçado, seus samurais, se unem a Kai, mais habilidoso que muitos, a contragosto, e decidem vingá-lo, naquela que será sua derradeira tarefa. Ao optarem por vingança, os samurais foram banidos da aldeia e perderam seu status, passando a viver à margem da sociedade, como párias. Quando um guerreiro é rebaixado, ele perde seus direitos recebe a denominação de ronin.

Para contar essa história, proveniente de uma lenda baseada em fatos históricos, o filme faz uso massivo do universo fantasioso. Ao fazê-lo, acaba por minar grande parte do potencial dramático que a bela história carrega, equiparando-a a tantas outras simplórias, em que o bem luta contra o mal. Ao fazer essa opção, o roteiro tornou-se fraco e com tantas arestas mal aparadas que, aliado a uma direção inexperiente, teve que recorrer á narração em off como sua única saída. Quando bem empregada, a narração é usada para enriquecer a história, e pode fazer maravilhas por um filme, mas nesse caso, foi usada como muleta, na tentativa de mostrar coisas que o filme por si só não conseguiu contar ou não deixou claro.

O visual, apesar de não ter compromisso com a realidade e com a época retratada, é encantador, mas alguns efeitos visuais ficam demasiadamente perceptíveis. O elenco é competente, embora desconhecidos no ocidente.  Keanu Reeves é quem destoa, aparece como “mais do mesmo”, com feições que já são familiares a quem já assistiu qualquer um de seus filmes. Destaque para a Rinko Kikuchi, que interpreta a feiticeira, dotada de olhar fascinante e postura desajustada, em oposição à perfeição exata e entediante de Mika (Kô Shibasaki).

47 Ronins foi um dos maiores fracassos de bilheteria do ano, o que é compreensível. Não é um filme terrível e exerce bem o papel de entreter, mas é totalmente descartável. Uma pena, pois a história desses guerreiros merecia um filme que fizesse jus ela e a abordasse melhor. Trata-se de uma lenda que traz consigo um potencial dramático incrível, que foi desperdiçado em um filme medíocre.

As noções de honra e disciplina estão muito impregnadas na cultura japonesa. É um fator a ser respeitado e admirado. E a lenda dos 47 Ronins, no fundo, é sobre a nobreza da honra. Mas em meio a efeitos especiais duvidosos, roteiro entrucado, com cenas de ação que não marcam, e uma historia de amor que não convence, a honra fica de lado e passa despercebida.

Cinemascope-47-ronins (6)47 Ronins (47 Ronin)

Ano: 2013

Diretor: Carl Rinsch

Roteiro: Chis Morgan

Elenco Principal: Keanu Reeves, Hiroyuki Sanada, Rinko Kikuchi, Kô Shibasaki

Gênero: Aventura

Nacionalidade: EUA

 

 

 

Confira o Trailer:

 

Galeria de Fotos:

Por Ana Carolina Diederichsen Confesso que a terminologia "Ronin" pra mim não era inédita, graças ao filme de 1998 com Robert De Niro e Jean Reno que leva esse nome. Mas não conhecia a lenda dos 47 Ronins, que é vendida como uma das mais fortes da cultura japonesa. O filme, com roteiro de Chis Morgan (responsável por 5 dos sete Velozes e Furiosos), pretende corrigir a falta de divulgação da lenda para o mundo. Com Keanu Reeves liderando o elenco, o filme mistura fantasia e realidade, numa proporção que parece não ter resultado muito positivo. Temos a história do…

Avaliação geral

Avaliação geral

2,5

Sobre Ana Carolina

Radialista, apertadora de botões convicta, mas com algumas ideias na caixola. Trabalha em televisão, mas não se deixou corromper pelo lado negro da força. Gosta de Cinema, arte, bichos, pijamas e unicórnios. Adora boas historias e tem fixação pela imagem. Intensa e dramática. Dizem que é nerd, mas não perde um blockbuster por nada.
Comentários