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RUSH

Rush – No Limite da Emoção

Por Wallacy Silva

Rush – No Limite da Emoção leva para as telonas uma disputa que deixou os fãs de Fórmula 1 em êxtase no ano de 1976. A batalha pelo título mundial da categoria ficou entre o campeão de 1975 na Ferrari, Niki Lauda (Daniel Brühl), e o então recém-contratado pela McLaren, James Hunt (Chris Hemsworth). O convívio aparentemente conturbado entre os dois pilotos vinha desde a Fórmula 3, ponto de partida do longa.

A transformação do livro Corrida Para a Glória (do jornalista Tom Rubython) em roteiro foi feita por Peter Morgan (360, A Rainha). A trama explora o início da carreira de Hunt e Lauda para apresentá-los. Mas a grande sacada foi não transformar nenhum dos pilotos em mocinho ou vilão. A verdadeira protagonista do filme é a rivalidade. A antagonista é a morte. Chega até a ser insistente essa ideia da morte como constante sombra dos corredores: Hunt refere-se ao cockpit de seu carro como um “pequeno caixão”; o britânico também menciona a própria profissão como “a espera da morte ao dirigir em círculos”; a alcunha do circuito de Nürburgring é “o cemitério”; o momento em que um fã pede um autógrafo com data para Niki; e claro, sempre ocorre algum acidente para lembrá-los que constantemente eles estão correndo risco de vida. Esse perigo permanente, no entanto, também é combustível para os competidores, motor das emoções.

Se por vezes tendemos a achar que os atletas são máquinas, aqui encontramos o turbilhão de sentimentos por trás dessa imagem errônea. Mais do que a vida profissional, Rush realça aspectos da vida pessoal dos pilotos, assim como suas personalidades bem distintas. Dessa maneira, quando os carros estão na pista, sabemos de tudo o que está em jogo e percebemos o que tanta determinação significa. Enxergamos a coerência dos personagens. A impulsividade que leva Hunt a se casar, por exemplo, é a mesma que o leva a tomar suas principais decisões nas corridas.

O diretor Ron Howard (Uma Mente Brilhante) foi inteligente em não cair na tentação de transformar as cenas de competição em uma transmissão televisiva, como às vezes acontece em filmes do gênero. Os cortes rápidos e o uso de ângulos surpreendentes não deixam dúvida quanto ao status de obra de arte do longa. Composições belíssimas como a de Niki Lauda e o fogo, em sua lua de mel, chamam a atenção, e essa em especial antecipa um importante momento do longa. E uma sequência genial é a na qual entramos na mente de James Hunt e o acompanhamos no traçado de Mônaco, que exibe como os competidores decoram o caminho que vão percorrer e os movimentos que precisam executar.

Enquanto Chris Hemsworth parece não ter se esforçado muito na composição do playboy inglês (não que atue mal, mas pela semelhança natural dele com Hunt), Daniel Brühl foi mais exigido e reafirmou-se como um grande ator. O sotaque de Lauda, de um austríaco falando inglês, foi reconstituído com perfeição. Fisicamente o detalhe da boca é de impressionar, com os dentes superiores levemente à mostra (o que rendeu ao piloto o apelido jocoso de “rato”).

O Brasil ganha duas menções nada legais em Rush. A primeira é a de Emerson Fittipaldi, que deixou a McLaren para correr por uma equipe própria, e parece não ter deixado muitos amigos por lá… foi justamente sua saída que abriu espaço para James Hunt. A segunda é no GP do Brasil em Interlagos, 1976, primeira corrida daquela temporada. O retrato de momentos antes da largada traz praticamente um carnaval dentro da pista, com dançarinas rebolando e tudo mais. Um estigma aos olhos do estrangeiro do qual o nosso país parece não conseguir se livrar.

Equilibrado, o filme alterna o drama e a emoção à flor da pele com pitadas de descontração, como no episódio da carona dos italianos, na visita que Lauda recebe de um padre ou nas quase sempre divertidas entrevistas, nas quais Hunt e Lauda esbanjam soberba. Os fãs de automobilismo já saberão o final da história, mas isso não importa nem um pouco. O interessante é acompanhar a evolução na relação entre os rivais, que entenderam que precisam desse estímulo do oponente. É preciso se superar para superar o adversário. No fim das contas, o estudioso e metódico austríaco e o inconsequente e festeiro inglês têm muito que aprender um com o outro.

cinemascope-rush-no-limite-da-emocao-posterRush – No Limite da Emoção (Rush)

Ano: 2013

Diretor: Ron Howard.

Roteirista: Peter Morgan.

Elenco principal: Chris Hemsworth, Daniel Brühl, Olivia Wilde, Alexandra Maria Lara.

Gênero: Biografia, Drama.

Nacionalidade: Estados Unidos / Alemanha / Reino Unido

 

 

 

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Por Wallacy Silva Rush - No Limite da Emoção leva para as telonas uma disputa que deixou os fãs de Fórmula 1 em êxtase no ano de 1976. A batalha pelo título mundial da categoria ficou entre o campeão de 1975 na Ferrari, Niki Lauda (Daniel Brühl), e o então recém-contratado pela McLaren, James Hunt (Chris Hemsworth). O convívio aparentemente conturbado entre os dois pilotos vinha desde a Fórmula 3, ponto de partida do longa. A transformação do livro Corrida Para a Glória (do jornalista Tom Rubython) em roteiro foi feita por Peter Morgan (360, A Rainha). A trama explora…

Avaliação geral

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5

Sobre Wallacy

Letrista, paulistano, adora música, livros, futebol, redes sociais, idiomas, conversas, novidades, detalhes, interpretações e, obviamente, cinema! @wallacy13
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