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Crítica: Star Trek – Sem Fronteiras

Por Felipe Teixeira

Quando a Paramount escolheu o taiwanês Justin Lin como o novo diretor de Star Trek – Sem Fronteiras, a decisão não foi lá muito bem recebida por alguns fãs, principalmente devido ao currículo do cineasta, famoso por três filmes da desenfreada franquia Velozes e Furiosos. Estaria Star Trek abandonando as alegorias e encantos da ficção-científica para se tornar um mero filme de ação? As preocupações mostraram-se, felizmente, infundadas. Em seu quinquagésimo aniversário, a tradicional jornada nas estrelas ganha mais um sólido e emocionante longa-metragem, revelando-se um dos melhores blockbusters de 2016 até então.

O filme se passa alguns anos depois dos eventos de Além da Escuridão (2013), quando a espaçonave USS Enterprise e sua tripulação recebem da Frota Estelar a missão de resgatar uma nave abatida em um planeta desconhecido que hospeda perigosos habitantes. Após sérios contratempos, o capitão James Kirk e Cia. precisam usar de toda a engenhosidade possível para conseguirem sair do local, cumprir a missão e evitar uma catástrofe.

Dois filmes após o reboot da série, os personagens principais do longa estão em estágios interessantes em suas vidas. Enquanto Kirk (Chris Pine) encontra-se desestimulado ao perceber que não sabe o caminho que deve tomar como líder da Enterprise diante da vastidão do universo, Spock (Zachary Quinto) e Uhura (Zoe Saldana) rompem um relacionamento quando o vulcano decide focar sua vida na reconstrução de seu planeta. A introdução do filme apresenta uma eficiente sequência de planos que, através de alguns detalhes (como a foto da filha de Sulu) e rápidas cenas, já estabelecem como vários integrantes da tripulação estão. Este é apenas um dos vários méritos do roteiro escrito por Doug Jung e Simon Pegg (que também interpreta o engenheiro Scotty no filme).

Apesar de toda a grandiloquência da produção, repleta de intensas cenas de ação, Pegg, Jung e Lin também encontram tempo para trabalhar alguns personagens pouco conhecidos na história, como é o caso de Sulu (Jhon Cho), que revela ter um parceiro gay e uma filha aguardando seu retorno. Até mesmo o carismático tripulante russo Chekov (interpretado por Anton Yelchin, que faleceu em junho deste ano em um trágico acidente de carro dentro da própria casa) também ganha mais tempo em cena em seu último filme da franquia.

A relação entre os protagonistas, principalmente do trio Kirk, Spock e McCoy (Karl Urban) também soa cada vez mais natural e rende divertidos momentos ao longo da projeção justamente por já conhecermos bem a personalidade de cada um deles. Por isso, em dado momento, quando Kirk designa McCoy para uma perigosa missão ao lado de Spock, é engraçado imaginar a reação do personagem, que acaba se concretizando logo em seguida. Além disso, ao contrário dos dois últimos longas, em que os personagens passam a maior parte do tempo dentro no espaço, Sem Fronteiras permite que a tripulação explore novos planetas e instalações, gerando um novo tipo de interação entre os personagens, apresentando novos indivíduos (como a cativante Jaylah) e expandindo o universo da saga para uma outra geração de espectadores.

O texto da produção também é um prato cheio de referências a personagens e eventos de filmes anteriores da franquia, criada em 1966 por Gene Rodenberry , e apenas os fãs mais fervorosos irão notar algumas delas. Como não poderia faltar, Sem Fronteiras ainda encontra tempo para uma emocionante homenagem à outra grande perda de um dos atores mais famosos dos 50 anos de Star Trek: Leonard Nimoy, o eterno Spock da série de TV que originou a franquia, falecido em 2015.

Mas apenas um roteiro dedicado não seria suficiente para fazer do filme um dos melhores do ano: e é aí que entra a criatividade do diretor Justin Lin e seu já conhecido talento para sequências de ação. De embates corporais em gravidade instável a resgates inusitados envolvendo motos a la Velozes e Furiosos, Lin consegue criar longas sequências que não soam repetitivas mesmo após tantos filmes da saga, e há uma delas no segundo ato de Sem Fronteiras envolvendo uma queda livre que é particularmente memorável. Por fim, a trilha sonora do sempre ótimo Michael Giacchino também corresponde à grandiosidade dos eventos, o que confere ao filme um tom ainda mais épico.

Excluindo um certo exagero no uso de frases de efeitos e de um vilão (vivido por Idris Elba) que empalidece quando lembramos do ameaçador Khan (de Benedict Cumberbatch) no filme anterior, Star Trek – Sem Fronteiras é um fantástico e despretensioso filme de ficção-científica que impressiona pela diversidade de seus personagens e pelo brilhantismo de suas sequências de ação. 50 anos após seu início, a franquia segue relevante para os fãs e para a indústria, e promete ainda ter uma vida longa e próspera.


Star Trek - Sem Fronteiras posterStar Trek – Sem Fronteiras (Star Trek Beyond)

Ano: 2016

Direção: Justin Lin

Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Zoe Saldana, Karl Urban, Simon Pegg

Gênero: Ficção-científica

Nacionalidade: Estados Unidos

Assista ao trailer:

Por Felipe Teixeira Quando a Paramount escolheu o taiwanês Justin Lin como o novo diretor de Star Trek – Sem Fronteiras, a decisão não foi lá muito bem recebida por alguns fãs, principalmente devido ao currículo do cineasta, famoso por três filmes da desenfreada franquia Velozes e Furiosos. Estaria Star Trek abandonando as alegorias e encantos da ficção-científica para se tornar um mero filme de ação? As preocupações mostraram-se, felizmente, infundadas. Em seu quinquagésimo aniversário, a tradicional jornada nas estrelas ganha mais um sólido e emocionante longa-metragem, revelando-se um dos melhores blockbusters de 2016 até então. O filme se passa…

Avaliação geral

Avaliação Geral

4,5

Sobre Felipe

Jornalista e amante da cultura pop, principalmente quando o assunto é um anel do poder ou uma ilha misteriosa com uma fumaça preta. Curte muito o Cuarón, o Linklater, os Coen, o Fincher e o Scorcese.
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