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Interior. Leather Bar

Por Magno Martins

Histórias, enredos, fotografia, e diversos outros aspectos do fazer cinematográfico são, proeminente, fórmulas de sucesso de grandes filmes, desde o nascimento do Cinema até os dias atuais.

Tudo isso é muito óbvio: estamos cercados de paradigmas impostos pela sociedade constantemente e quando um diretor resolve quebrar essas regras, ele se depara com a censura. Com o intuito de “resguardar” o público interessado em tal obra (algumas vezes até mesmo para proteger a imagem dos atores envolvidos), a censura corta diversas cenas de um filme para “padronizá-lo” de acordo com a moral e bons costumes que permeiam na sociedade. Isso não é novidade para ninguém, pois muitos filmes são censurados para serem exibidos, até então não há nada de “anormal” com relação a isso.

E é esse ponto que James Franco e Travis Mathews (diretor da ótima série In Their Room) exploram, claramente, em Interior. Leather Bar. Um documentário extremamente pesado, mas incrivelmente bem elaborado sobre a condição humana na sociedade, principalmente sobre o tema sexo. O documentário aborda os 40 minutos do filme Parceiros da Noite, um filme policial de 1980, onde Al Pacino interpreta um detetive que investiga o submundo gay de Nova Iorque. Esse filme, ao passar pela censura, perdeu-se 40 minutos das cenas em que Pacino está em um bar sadomasoquista, onde diversas cenas de sexo explícito entre homens foram filmadas. Para que o filme não fosse categorizado como pornográfico, a censura retirou essas cenas para que fosse exibido nas salas de cinema.

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Com o objetivo de refilmar esses 40 minutos, James conta com o ator Brenden Gregory, um amigo de longa data, para interpretar o personagem de Al Pacino nas cenas censuradas. Além de Brenden, James Franco e Travis Mathews escalaram um elenco bem diversificado, que incluiu gays e heterossexuais para reviverem as cenas. Claro que tudo foi feito a partir do ponto de vista dos diretores, já que as cenas nunca foram divulgadas. Seria uma produção que envolveria mais a imaginação e a especulação de como que essas cenas foram filmadas.

Mais do que reviver essas cenas, James e Travis tiveram uma visão além do que todos esperavam: o roteiro foi entregue ao elenco no dia da gravação, ou seja, não houve tempo de ninguém questionar o que seria gravado naquele momento. Alguns personagens tiveram participações maiores, enquanto outros eram apenas figurantes. E o melhor de todo o documentário é a reação de todos os envolvidos, desde o elenco até a produção, sobre o que tudo aquilo significava. Grande parte estava ali sem saber o que faria de fato e muitos nem sabiam da existência do filme Parceiros da Noite.

É no momento em que o ator Brenden questiona James sobre tudo aquilo, principalmente depois de uma cena considerada pesada, é que James abre sua visão. Ele se diz contra tudo o que foi imposto, durante toda sua vida, para uma vida normal perante os olhos da sociedade. Ele questiona: por que as pessoas estão tão acostumadas a verem cenas de violências em filmes e não poderiam ver cenas de sexo, sejam gays ou heterossexuais? Por que que os romances só envolvem caras que querem ser felizes com as mulheres, casar, ter filhos? Por que existe uma grande parcela, no caso dos gays, que são tão discriminados em filmes, não podem ter finais felizes no cinema? Por que o sexo ainda é tão excluso da vida, sendo que todo mundo pensa em sexo?

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A partir de tudo isso que Interior. Leather Bar cria todo um sentido. O documentário vai muito além de explorar a imaginação dos 40 minutos de censura de um filme de 1980: busca os porquês de tantas fórmulas que, até então fazem sucesso, precisam ser repensadas para se adequar a uma realidade convergente a padrões aceitos da sociedade. Mesmo sendo um ator conhecido, James Franco busca, incansavelmente, abrir os olhos, não somente do ator, sobre uma das culturas que é tanto excluída dos filmes hollywoodianos, mas também de todos envolvidos na produção e, principalmente do público que assistiria seu documentário. Enxergar todos os processos sob outro ponto de vista: colocar atores, sem nenhum preparo, em um set para recriar cenas de sadomasoquismo, onde poucos se conhecem e precisam realmente fazer acontecer e, ao mesmo tempo, buscar as percepções de cada envolvido, seja na produção ou no elenco, sobre as experiências de gravações de um único dia. É algo incrível, com uma maestria e genialidade que somente James Franco, ao lado de Travis Mathews, conseguiram explorar visões e percepções que são únicas, mas sempre no mesmo caminho: pensar e viver fora da caixa e, principalmente, quebrar paradigmas já consolidados.

 

Cinemascope - Interior Leather Bar

Interior. Leather Bar

Ano: 2013

Diretores: James Franco e Travis Mathews.

Elenco Principal: Brenden Gregory, Christy Patrick, Eva Lauren Eva, Jake Robbins, James Franco, Joel Michaely, Jonathan Howard, Keith Wilson, Michael Lannan, Nick Buda, Travis Mathews, Val Lauren

Gênero: Documentário, Drama

Nacionalidade: EUA

 

 

 

Veja o trailer:

Por Magno Martins Histórias, enredos, fotografia, e diversos outros aspectos do fazer cinematográfico são, proeminente, fórmulas de sucesso de grandes filmes, desde o nascimento do Cinema até os dias atuais. Tudo isso é muito óbvio: estamos cercados de paradigmas impostos pela sociedade constantemente e quando um diretor resolve quebrar essas regras, ele se depara com a censura. Com o intuito de “resguardar” o público interessado em tal obra (algumas vezes até mesmo para proteger a imagem dos atores envolvidos), a censura corta diversas cenas de um filme para “padronizá-lo” de acordo com a moral e bons costumes que permeiam na…

Avaliação geral

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5

Sobre Magno

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