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O olhar invisível

O Olhar Invisível

Por Frederico Cabala

O Olhar Invisível é um relato da ditadura argentina contado a partir de um pequeno fragmento — um tradicional colégio da Buenos Aires no ano de 1982. Diego Lerman assina a direção desse que é seu terceiro longa. É de sua autoria também o roteiro adaptado a partir do romance Ciências Morais, de Martín Kohan, que inclusive faz uma pequena ponta no filme.

O longa carrega consigo a sagacidade do livro de Kohan ao transpor para o espaço micro desdobramentos de um regime ditatorial. Aponta o autoritarismo presente não só no poder centralizado, mas também reproduzido nas pequenas relações sociais. Maria Teresa (Julieta Zylberberg) tem 23 anos e trabalha como inspetora no Colégio Nacional de Buenos Aires, instituição literalmente oldschool, daquelas que parecem ensinar apenas a obedecer.

Marita, como também é conhecida Maria Teresa, encarna o espírito nacional de atenção contra qualquer mínima ameaça de desrespeito às regras, à moral e aos bons costumes. Apesar da pouca idade, ela só se dedica ao trabalho, seguindo estritamente as ordens de Carlos Biasutto (Osmar Nuñez), seu supervisor. Vistoria de uniformes e checagem do comprimento de cabelos, assim como vigilância permanente dos alunos, são suas atribuições.

Mas a observação em excesso e a repressão interna de Marita se voltam contra ela. Na tentativa de encontrar desvios morais alheios, ela descobre nela mesma sentimentos sensuais de desejo, obsessão e curiosidade.

O cenário — prédio gigantesco e espaçoso do colégio — e a câmera que finge ser um olhar sempre à espreita concedem um clima claustrofóbico ao filme. A fotografia em tons neutros parece sugerir que nada é transgredido, nada é ousado, até mesmo o uso da paleta de cores. Esteticamente o filme funciona. As expressões faciais travadas na dureza de Julieta Zylberberg ajudam a tornar a personagem Marita ainda mais envolvente.

A narrativa, porém, demora a engrenar. Que nem o modelo de ensino do Colégio Nacional, o longa parece se repetir infinitamente em sua primeira metade. Quando acontecimentos diferentes e conflitos enfim surgem, tudo é feito de modo exagerado e pouco plausível. Vale principalmente pelo valor histórico da ditadura argentina reproduzida nos gestos de anônimos.

 

O olhar invisível posterO Olhar Invisível (La Mirada Invisible)

Ano: 2010.

Diretor: Diego Lerman.

Roteiro: Diego Lerman, María Meira, Martín Kohan (romance).

Elenco Principal: Julieta Zylberberg, Osmar Nuñez, Diego Vegezzi.

Gênero: Drama.

Nacionalidade: Argentina/ França/ Espanha

 

 

 

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Por Frederico Cabala O Olhar Invisível é um relato da ditadura argentina contado a partir de um pequeno fragmento — um tradicional colégio da Buenos Aires no ano de 1982. Diego Lerman assina a direção desse que é seu terceiro longa. É de sua autoria também o roteiro adaptado a partir do romance Ciências Morais, de Martín Kohan, que inclusive faz uma pequena ponta no filme. O longa carrega consigo a sagacidade do livro de Kohan ao transpor para o espaço micro desdobramentos de um regime ditatorial. Aponta o autoritarismo presente não só no poder centralizado, mas também reproduzido nas pequenas relações sociais. Maria…

Avaliação geral

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3

Sobre Frederico

Nasceu em Itabuna (BA) e se deslocou pra estudar jornalismo em Viçosa (MG), onde tomou gosto pelo cinema. Tem como diretores favoritos Woody Allen e Juan José Campanella. É fã do cinema documental brasileiro de Eduardo Coutinho e João Moreira Salles.
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