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Tropicália

Por Wallacy Silva

Em um recorte temporal entre 1967 e 1972, Tropicália mostra a história do Tropicalismo passando por eventos como o festival de música da Tv Record em 67 (tema do ótimo Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil), a aprovação do Ato Institucional n°. 5 e suas consequências (como o exílio dos cantores Caetano Veloso e Gilberto Gil), a vivência dos exilados na Europa e o retorno deles ao Brasil. Os trechos de filmes, vídeos e as fotografias são contextualizados pelos depoimentos daqueles que participaram do movimento e que tentam explicá-lo, descrevê-lo ou defini-lo para o espectador.

O que mais chama atenção no documentário é a relação intrínseca que é mostrada entre a ditadura militar e o movimento artístico: a repressão só servia para incentivar aqueles jovens a encontrar as formas mais variadas e criativas de se expressar. E se sob este prisma a ditadura pode ter sido uma das motivações da existência do Tropicalismo, por outro lado ela foi responsável pelo seu fim, quando o AI5 foi aprovado e os tropicalistas passaram a ser perseguidos. O filme também cumpre um papel importante ao ressaltar que, apesar de ter sido mais popular, a veia musical não é a única do movimento, e traz um pouco da pintura de Oiticica, do teatro de Zé Celso e do cinema de Glauber Rocha e de tantos outros.

O diretor parece ter incorporado um pouco da criatividade que o Tropicalismo emana e caprichou na forma de apresentar seu documentário ao espectador. Os registros em preto e branco ganham cores, que fazem espetáculo no decorrer do documentário; as fotografias são apresentadas sobre murais, ou na forma de película, ou como se estivessem simplesmente espalhadas na nossa frente; em outros momentos ele joga com a tipografia, com palavras surgindo ao serem digitadas em uma máquina de escrever ou destacando palavras de um texto qualquer com marca-texto; e a trilha sonora dispensa comentários. A montagem também é inteligente, vide o início com a pergunta do apresentador português para Caetano “O que é o Tropicalismo?”. E a resposta nos é apresentada não por ele, mas por diversos dos envolvidos nessa agitação cultural. A entrevista é retomada na parte final do documentário, mas a resposta é necessária?

Enquanto Uma Noite Em 67 elege um único festival como tema a ser documentado, Tropicália procura fazer um apanhado geral dessa época tão fértil no campo das artes. Construindo um documentário que foge do lugar comum (o narrador que enfia uma enxurrada de informações na goela do espectador), Marcelo Machado conseguiu fazer um filme autoral e eficiente na recuperação e preservação da memória de um capítulo fundamental da cultura do Brasil.

Cinemascope---Tropicália-PosterTropicália

Ano: 2012

Diretor: Marcelo Machado.

Roteiro: Marcelo Machado e Di Moretti.

Elenco Principal: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Rita Lee, Rogério Duarte.

Gênero: Documentário.

Nacionalidade: Brasil.

 

 

 

Veja o trailer:

[youtube]vtltIUkG_KE[/youtube]

Galeria de Fotos:

Por Wallacy Silva Em um recorte temporal entre 1967 e 1972, Tropicália mostra a história do Tropicalismo passando por eventos como o festival de música da Tv Record em 67 (tema do ótimo Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil), a aprovação do Ato Institucional n°. 5 e suas consequências (como o exílio dos cantores Caetano Veloso e Gilberto Gil), a vivência dos exilados na Europa e o retorno deles ao Brasil. Os trechos de filmes, vídeos e as fotografias são contextualizados pelos depoimentos daqueles que participaram do movimento e que tentam explicá-lo, descrevê-lo ou defini-lo para…

Avaliação geral

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5

Sobre Wallacy

Letrista, paulistano, adora música, livros, futebol, redes sociais, idiomas, conversas, novidades, detalhes, interpretações e, obviamente, cinema! @wallacy13
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