São tempos sombrios para a cultura. A ignorância vem tentando tomar mais espaço do que lhe cabe, diante de tudo e todos. O ano é 2019 e apesar de tentarmos com todas as forças, as tochas continuam acesas. A diferença é que agora as bruxas não estão sozinhas.

Por isso, o Cinemascope destaca 5 bruxas do cinema brasileiro que são exemplos de resistência, astúcia e sensibilidade, de trabalho sério e importância inquestionável não só para o audiovisual mas para a história da arte e das mulheres no Brasil.

Fernanda Montenegro    

Bruxas no Cinema

Com mais de 70 anos de carreira e contribuições significativas para a história do teatro, do cinema e da teledramaturgia, Fernanda Montenegro recém-lançou sua autobiografia. Depois de um comentário covarde e mesquinho ao qual teve a infelicidade de ser submetida após ser publicado um ensaio fotográfico icônico no qual aparecia vestida de bruxa, Fernanda Montenegro esteve no Teatro Municipal de São Paulo num encontro com mais de 5 mil pessoas e respondeu com classe a frase “Ninguém ou sistema nenhum vai nos calar”.

Laís Bodanzky 

Não basta fazer Cinema, tem que fazer o cinema circular. Diretora-presidente da SP Cine, suas produções se constroem com um discurso sensível e tratam de conflitos em diferentes faixas etárias e gerações. Bodanzky é responsável pelo projeto social “Tela Brasil”, no qual as produções nacionais viajam para cidades do interior do país que não têm acesso ao cinema, muitas vezes possibilitando um primeiro contato da população brasileira com a linguagem.

Norma Bengell 

Seu primeiro filme foi “O Homem do Sputinik”, em 1959, no qual cantava e satirizava Brigitte Bardot. Mais pra frente, já depois de fazer sucesso, Anselmo Duarte a convida para participar de “O Pagador de Promessas” como a prostituta Marli. O longa levou a Palma de Ouro em Cannes e fez com que sua imagem circulasse pela Europa.  No ano de 1962, participa do filme “Os Cafajestes”, de Ruy Guerra, gerando um estardalhaço com a primeira cena de nu frontal do cinema brasileiro. Além disso, no fim da década de 1960, já como atriz de teatro em São Paulo, foi sequestrada por homens do exército em pleno Teatro de Arena, ficou presa por dois dias e foi interrogada durante horas. No fim da década de 1970, se envolveu na luta pela regulamentação da profissão de ator no Brasil.

Ana Carolina

Ana Carolina encontrou o Cinema depois de passar pela Medicina, pela Fisioterapia e pelas Ciências Sociais. Com um mergulho já mais maduro na linguagem cinematográfica, sua obra propõe reflexões mais cruas, críticas, históricas e sociais.  A relação indivíduo-coletivo está sempre presente em cena, bem como um pensamento sobre suas próprias construções. É um cinema de resistência, quase inteiramente analógico: sua primeira experiência digital “A Primeira missa ou Tristes Tropeços, enganos e urucum”estreou somente em 2014. Ana Carolina foi listada no ranking de 100 melhores filmes brasileiros pela Abraccine em 2015, com “Mar de Rosas”.

Sônia Braga 

Apesar de ter ficado muito conhecida por seu papel em Gabriela, em 1975, Sônia Braga está longe de ser considerada uma artista de um trabalho só. Com diversos convites e uma carreira extensa tanto no Brasil quanto no exterior, a atriz recentemente foi protagonista de uma polêmica envolvendo o uso de seus cabelos brancos após a gravação de Bacurau. (Sério mesmo que ainda podem considerar polêmica as escolhas de uma mulher sobre a aparência dela?). Com respostas afiadas para as perguntas inoportunas da imprensa, Sônia Braga também se destaca por levantar a bandeira da legalização do aborto e é presença constante em manifestações em prol da Amazônia.  É vencedora de diversos prêmios por seu papel em “Aquarius”, como Festival Sesc Melhores Filmes e ICS Cannes Award.

Felizmente o país pode contar com o trabalho e com a dedicação dessas bruxas no cinema. Certamente seu legado já é eterno, transformando não só o cinema brasileiro, mas o ambiente no qual ele se realiza.

Feliz dia das Bruxas.

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