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Cinemascope-a-menina-que-rioubava-livros (7)

A Menina que Roubava Livros

Por Ana Carolina Diederichsen

Baseado no best seller homônimo, A Menina que Roubava Livros chega aos cinemas depois de grande expectativa. A menina em questão é Liesel, interpretada pela fofa e extremamente promissora Sophie Nélisse. Sua história começa na Alemanha pré-Segunda Guerra Mundial. O país já enfrentava uma crise e aqueles que não se encaixavam no padrão estabelecido, eram marginalizados. A mãe de Liesel, engrossava essa lista e, por não poder alimentar os filhos, teve de entregá-los ao Estado, que encaminhava as crianças para adoção, mediante pagamento de uma pensão. Nesse processo, o irmão mais novo da garota, morre. Ainda sem saber como lidar com a perda, ela é entregue a uma nova família, em que todos são estranhos. Sua mãe adotiva, Rosa, vivida por Emily Watson, encarna o perfeito estereótipo da alemã fria e rígida, enquanto cabe a Hans (o incrível Geoffrey Rush), o papel da ternura.

Logo no início do filme, que já encanta com o visual deslumbrante de um campo totalmente coberto pela neve branca, em oposição ao negro trem monocromático, já temos uma quebra. A partir de uma opção pouco usual, e que pode causar certo estranhamento inicial, o narrador é a personificação da morte. E ele explica os motivos pelos quais se intrigou com a trajetória daquela menina, dentre tantas outras que cruzaram seu caminho.

Liesel agora tem que enfrentar as dificuldades de adaptação em sua nova família, nova cidade e escola. Por volta dos nove anos, ela é a única aluna de sua sala que não sabe ler, e quanto a isso, seus colegas são bastante cruéis. É justamente a partir da necessidade de aprender a ler, que Hans e Liesel vão estabelecendo seus laços. A leitura torna-se, naquele momento, a única coisa que os conecta, e a menina assustada vai, aos poucos, se abrindo àquele estranho, que assume contornos tão paternais como ela jamais havia visto. Geoffrey tem o poder de confortar com um simples olhar e, para aquela menina isso foi seu mundo, o alicerce que ela precisava pra se desenvolver.

Quando a situação começa a entrar nos eixos, a guerra estoura e a família passa a abrigar Max (Ben Schnetzer), um judeu fugitivo, ato totalmente ilegal e perigoso. A partir daí a história ganha forma. Ela não fala sobre grandes feitos heróicos na guerra, que aqui é um pano de fundo sempre presente. Fala justamente sobre como não ceder ao medo e incoerências da guerra, fala sobre os pequenos confortos que a vida proporciona e como laços entre estranhos são forjados. Sobre vidas que tocam outras, em pequenos momentos, gestos, sorrisos ou um simples piscar de olhos em cumplicidade.

O elenco central tem excelente atuação, a direção de arte faz um trabalho primoroso evidenciado pela fotografia. A evolução da personagem principal é muito bem marcada. Figurino e maquiagem contribuíram muito para isso mas, ainda assim, Liesel parece ter envelhecido anos e amadurecido décadas. Nesse caso, o mérito maior fica a cargo de Sophie Nélisse, que durante as gravações tinha entre 12 e 13 anos.

A trilha sonora, que conferiu a John Williams sua 49ª indicação ao Oscar, é bonita e elegante, mas não foge muito do habitual. Para um filme desse porte, envolvendo essa temática, é surpreendente que essa tenha sido sua única indicação.

Uma história de guerra, vista através dos olhos de uma criança, incapaz de compreender as limitações que a cercava, mas tendo que lidar com o peso disso, que mostra como a ingenuidade se transformou em esperança. É um drama forte, não muito inovador, mas tão comovente e feito de maneira tão competente que vale as horinhas dedicadas a ele e desperta a vontade de ler o livro e conhecer mais a fundo essa história.

Cinemascope-a-menina-que-rioubava-livros (5)A menina que roubava livros (The Book Thief)

Ano: 2013

Diretor: Brian Percival

Roteiro: Markus Zusak (Livro), Michael Petroni (Roteiro)

Elenco Principal: Geoffrey Rush, Emily Watson, Sophie Nélisse, Nico Liersch, Ben Schnetzer.

Gênero: Drama

Nacionalidade: EUA, Alemanha

 

 

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Por Ana Carolina Diederichsen Baseado no best seller homônimo, A Menina que Roubava Livros chega aos cinemas depois de grande expectativa. A menina em questão é Liesel, interpretada pela fofa e extremamente promissora Sophie Nélisse. Sua história começa na Alemanha pré-Segunda Guerra Mundial. O país já enfrentava uma crise e aqueles que não se encaixavam no padrão estabelecido, eram marginalizados. A mãe de Liesel, engrossava essa lista e, por não poder alimentar os filhos, teve de entregá-los ao Estado, que encaminhava as crianças para adoção, mediante pagamento de uma pensão. Nesse processo, o irmão mais novo da garota, morre. Ainda…

Avaliação geral

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4

Sobre Ana Carolina

Radialista, apertadora de botões convicta, mas com algumas ideias na caixola. Trabalha em televisão, mas não se deixou corromper pelo lado negro da força. Gosta de Cinema, arte, bichos, pijamas e unicórnios. Adora boas historias e tem fixação pela imagem. Intensa e dramática. Dizem que é nerd, mas não perde um blockbuster por nada.
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