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O Menino e o Mundo
O Menino e o Mundo

O Menino e o Mundo

Por Aline Fernanda

O começo do filme surpreende e assusta. Assusta e levanta a pergunta: “será que o filme “aguenta” até o final?”. Surpreende porque estamos acostumados as grandes produções de animação internacionais e a tentativa de aproximação com a realidade.

O Menino e o Mundo impressiona pela mistura de técnicas – colagem, aquarela, lápis de cor, giz de cera, carros feitos graficamente (para representar a desigualdade social), algumas imagens estilo documentário de árvores sendo cortadas na floresta.

A ideia surgiu em 2006 quando o diretor Alê Abreu desenvolvia uma pesquisa sobre períodos conturbados da história recente da América Latina, para um projeto de animadoc, conduzido através das canções de protesto da década de 1970.

Na história, sofrendo com a falta do pai, um menino parte em sua busca. Na jornada descobre aos poucos a reali­dade que o circunda, um mundo fantástico domina­do por máquinas-bichos e estranhos seres, revelan­do também aos espectadores o seu olhar ingênuo diante de questões existenciais, culturais e políticas em um mundo globalizado.

O diretor decide mostrar de forma lúdica os espaços e as configurações de um mundo contemporâneo. E mostra isso com o espanto dos olhos de uma criança que vê seu pai sendo engolido por uma enorme máquina (trem) que o leva para nunca mais voltar. Durante a busca, ele encontra um velho e seu cachorro, que trabalham na lavoura. O longa mostra o quanto para os “grandões” o que interessa é o dinheiro e sua produção, tudo mecânico e padronizado, mas ao mesmo tempo quem é humanizado é o pobre, o trabalhador que nos é mostrado como indivíduo, enquanto os poderosos mal tem rosto, sempre escondidos atrás de seus carrões e tanques.

Depois disso, é a vez das indústrias que fazem a mesma coisa com seus funcionários e mais uma vez as pessoas que trabalham são humanizadas. O filme é uma crítica muito forte, apesar de delicada, a essa coisificação da pessoa e de como coisas e pessoas são esquecidas dentro da sociedade.

A trilha sonora dá um tom folclórico que funciona perfeitamente, apesar do tema principal ser repetitivo. A trilha foi composta especialmente por Ruben Feffer e Gustavo Kurlat com as participações de Naná Vasconcelos, Barbatuques e GEM – Grupo Experimental de Música. A trilha nesse filme permite que você sinta as sensações entenda o que está acontecendo. Na grande cidade as pessoas falam um dialeto próprio, o que causa estranhamento, assim como causou para a criança.

Uma passagem muito bonita é quando uns grupos de manifestantes estão em confronto com a polícia e são representados por pássaros, os manifestantes por um majestoso pássaro colorido e a grande corporação por um pássaro negro.

Faz tempo que animação não é apenas para criança. E O Menino e o Mundo veio para mostrar que até com as coisas mais simples tem como causar um questionamento.

 

Cinemascope-o-menino-e-o-mundo-posterO Menino e o Mundo

Ano: 2013

Diretor: Alê Abreu

Roteiro: Alê Abreu

Vozes: Emicida, Lu Horta, Marco Aurélio Campos, Melissa Garcia, Naná Vasconcelos, Vinicius Garcia

Gênero: Animação

Nacionalidade:  Brasil

 

 

 

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Por Aline Fernanda O começo do filme surpreende e assusta. Assusta e levanta a pergunta: “será que o filme “aguenta” até o final?”. Surpreende porque estamos acostumados as grandes produções de animação internacionais e a tentativa de aproximação com a realidade. O Menino e o Mundo impressiona pela mistura de técnicas - colagem, aquarela, lápis de cor, giz de cera, carros feitos graficamente (para representar a desigualdade social), algumas imagens estilo documentário de árvores sendo cortadas na floresta. A ideia surgiu em 2006 quando o diretor Alê Abreu desenvolvia uma pesquisa sobre períodos conturbados da história recente da América Latina,…

Avaliação geral

Avaliação geral

4,5

Sobre Fernanda

Psicóloga, fotógrafa, paulistana, fã dos clássicos, suspense e animação, tem como ídolos os diretores Alfred Hitchcok e Tim Burton.
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