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Pelos Olhos de Maisie

Por Magno Martins

Não é novidade para ninguém que atualmente os processos de divórcios aumentam cada dia mais, onde pais não conseguem manter um relacionamento saudável dentro de casa diante do caos da vida contemporânea, ou até mesmo não conseguem manter um sentimento que nasceu em um determinado ponto da vida entre os dois. Diversos são os casos e cada um deles tem seus porquês e não cabe a ninguém de fora julgar se está certo ou não. Mas uma perspectiva, pouco explorada, é a dos próprios filhos. Como que eles enxergam toda essa transição? Será que são tão inocentes, incapazes de compreender o que acontece ao redor deles?

Pois bem, o filme Pelos Olhos de Maisie, adaptação no livro de mesmo título do escritor Henry James (lançado em 1897), é um retrato da triste realidade de muitas crianças que passam por isso nesse momento em que você lê esta crítica. Maisie (Onata Aprile em sua estreia no cinema) é uma garotinha que vive em um mundo conturbado, criado pelos seus próprios pais, Susanna (Juliana Moore; Minhas Mães e Meu Pai) e Beale (Steve Coogan; Ruby Sparks – A Namorada Perfeita). Susanna é uma estrela do rock que não consegue manter sua vida pessoal longe dos palcos e Beale é um curador de galerias de artes, que não consegue manter uma relação com sua família, já que ele transpira dia e noite trabalho, trabalho e trabalho.

Em meio a tudo isso, Maisie vai levando sua vida normalmente, com recursos materiais que lhe distraem enquanto seus pais brigam dia e noite, quando se encontram. Sua maior salvação é sua baby sitter, que tenta manter a garotinha fora das discussões de seus pais. A história começa a ganhar mais dramaticidade quando os pais de Maisie resolvem se separar. É a partir daí que Maisie luta pra sobreviver entre os relacionamentos caóticos de seus pais divorciados, pelo tempo estabelecido judicialmente para ficar com eles e no meio de tudo isso e ela vai percebendo que, cada vez mais, é colocada de lado. Mesmo se vendo em diversas situações arriscadas para uma criança com o seu olhar triste, Maisie não se desespera, não perde sua força e no fundo começa a perceber quem são as pessoas que ela poderia considerar como família. Mesmo tão pequena e tão frágil, Maisie consegue ter esperança de que todo aquele caos em sua vida terminaria em breve e ela poderia sorrir novamente e buscar pelos seus sonhos, viver bem como qualquer outra criança merece.

É perceptível que os diretores Scott McGehee (Palavras de Amor) e David Sigel (Até o Fim) e os roteiristas Carroll Cartwright (Cadê a Grana) e Nancy Doyne (Série Contos da Cripta) tentaram manter o máximo possível de leveza na história, tomando muitos cuidados para que o filme não perdesse o foco do drama vivido por Maisie, sendo isso perceptível tanto nas cenas gravadas pela visão da personagem principal quanto nos diálogos construídos para todos os personagens do filme. As filmagens das perspectivas de Maisie são incríveis, mostrando tudo o que ela observa ao seu redor e como interpreta o caos de seu drama familiar, além dos locais de gravação que foram muito bem selecionados que, mesmo sendo em Nova Iorque, mostram diversas perspectivas poucos exploradas em produções feitas na cidade, visto em cenas de quando a personagem reencontra sua mãe ou mesmo quando ela está brincando em uma ponte com o seu padrasto (Alexander Skarsgård), tornando a história ainda mais real.

Pelos Olhos de Maisie é elaborado e vai além do que apenas mais um filmes sobre conflitos familiares, ele alerta claramente a uma crítica social à família na sociedade contemporânea.

Cinemasope-pelos-olhos-de-maisie-poster-brPelos Olhos de Maisie (What Maisie Knew)
Ano: 2013
Direção: David Siegel e Scott McGehee
Roteiro: Carroll Cartwright e Nancy Doyne
Elenco Principal: Onata Aprile, Julianne Moore, Steve Coogan e Alexander Skarsgård
Gênero: Drama
Nacionalidade: EUA

 

 

 

 

 

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Por Magno Martins Não é novidade para ninguém que atualmente os processos de divórcios aumentam cada dia mais, onde pais não conseguem manter um relacionamento saudável dentro de casa diante do caos da vida contemporânea, ou até mesmo não conseguem manter um sentimento que nasceu em um determinado ponto da vida entre os dois. Diversos são os casos e cada um deles tem seus porquês e não cabe a ninguém de fora julgar se está certo ou não. Mas uma perspectiva, pouco explorada, é a dos próprios filhos. Como que eles enxergam toda essa transição? Será que são tão inocentes,…

Avaliação geral

Avaliação Geral

5

Sobre Magno

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