Por Magno Martins

Mesmo conhecido como um dos maiores diretores do cinema brasileiro, Eduardo Coutinho também exerceu uma grande importância na televisão brasileira. Um de seus trabalhos de maior notoriedade para a Rede Globo foi o documentário O Menino de Brodosqui, criado especialmente para o programa Globo Repórter, em 1980. Neste trabalho, Coutinho assumiu a direção de todo o conteúdo do documentário, onde ele e sua equipe buscaram todas as informações e pessoas que conviveram com Cândido Portinari entre 1903 e 1962, período em que o artista viveu entre terras brasileiras e estrangeiras.

Primeiramente, o nome do documentário remete a fase inicial da vida de Portinari, que nasceu e viveu parte de sua infância na pequena cidade nomeada Brodowski, situada na região nordeste de São Paulo. O documentário retrata desde o nascimento de Portinari, que foi em um cafezal, passando pela sua infância, os primeiros passos para o mundo da arte, as dificuldades, os reconhecimentos e seus últimos dias de vida.

Coutinho conseguiu entrevistar importantes pessoas que conviveram com Portnari, desde amigos de infância, alguns familiares, como sua irmã Pellegrina Portinari, filho João Candido e sua esposa Maria Portinari.  A história de Portinari, um dos mais aclamados artistas plásticos do mundo tem suas obras presentes no Brasil e no mundo. Portinari era conhecido, principalmente pela sua paixão de criar grandes murais de suas obras, como Guerra e Paz, que está exposta atualmente no hall da sede da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova Iorque, EUA.

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Durante o documentário, é perceptível a grandiosidade da mente de Portinari a partir dos relatos de seus familiares e amigos durante sua jornada no mundo das artes. Após ter sido enviado para o Rio de Janeiro para estudar na Escola Nacional de Belas Artes, Portinari passou por muitas dificuldades por não se ajustar aos padrões de artes da época. Mesmo com todos os problemas financeiros e crises de criatividade, Portinari persistiu em seu dom e, aos poucos, ganhou importantes reconhecimentos com suas pinturas de retrato que, mesmo seguindo o padrão da época, havia alguns traços únicos do artista. Após conseguir uma importante viagem para Paris, Portinari conheceu sua futura esposa, com quem passou o resto de sua vida. Ao voltar para o Brasil, ele iniciou uma árdua jornada em busca de dinheiro para sobreviver e, a partir disso, viver da arte que lhe motivava: a arte de suas raízes, que hoje são aclamadas no mundo todo, retratando suas realidades e visões de um povo com que viveu desde sua infância.

E é neste ponto de vista que Coutinho conseguiu, com maestria, repassar a importância de Portinari que extrapolou o mundo da arte. As diferentes fases de sua vida, desde os altos e baixos, faz de O Menino de Brodosqui um documentário obrigatório para os amantes e estudiosos de Arte, com muita história de vida e como que elas influenciam e muito no trabalho de um artista que sempre buscou desenvolver seus dons longe de qualquer estereótipo.

O Menino de Brodosqui é um documentário muito bem elaborado desde sua concepção até em suas narrações de Cid Moreira e edição final. Eduardo Coutinho aprofundou-se e muito sobre a história de Portinari e, assim como o artista, retratou fielmente a vida e as obras de um dos maiores artistas plásticos.

Confira o documentário abaixo: