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Cinemascope - 12 anos de escravidão destaque

12 Anos de Escravidão

Por Fausto Fernandes

Já diz o famoso ditado que “quando se perde algo, é que damos real valor”, pois em 12 anos de escravidão um homem perde o que talvez seja o bem mais precioso (e menos apreciado) do ser humano: sua liberdade. Em 1841, o músico Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) – já longe de casa e da família, enganado com a promessa de um trabalho melhor – é drogado e comercializado como escravo em um Estados Unidos, não tão unido assim.

Solomon se viu inerte e encontrou na aceitação o modo de sobreviver a toda aquela barbárie e, um dia, voltar à vida. Sua amargura durou longos 12 anos, nos quais passou pelas mãos de diferentes tipos de “senhores”: o temente a Deus, William Ford (Benedict Cumberbatch), o explosivo capataz Tibeats (Paul Dano), o alcoólatra cruel Edwin Epps (Michael Fassbender) e sua rancorosa esposa Ms. Epps (Sarah Paulson). Durante essa trajetória, ele encontrou suporte e ajuda mútua em duas escravas: uma mãe separada dos filhos Eliza (Adepero Oduye) e a jovem Patsey (Lupita Nyong’o).

O músico só conseguiu sua tão esperada alforria – em janeiro de 1853 – graças ao abolicionista canadense Avery Bass (Brad Pitt, que também produziu o longa). Em seu reencontro com a família, em uma das cenas mais bonitas e tocantes, Solomon pede perdão e todos pela sua aparência. 12 anos de escravidão é uma história real que fascina, choca e inspira.

Já fazia tempo que o diretor do aclamado e polêmico Shame, Steve McQueen queria fazer um filme sobre a escravidão, e quando sua esposa o apresentou a biografia de Solomon Northup, ele prontamente se encantou e ao mesmo tempo foi tomado pela indignação por nunca ter ouvido falar antes. Ele se juntou ao roteirista John Ridley (Três Reis) e começaram os trabalhos de pesquisa e roteirização. Nada fácil adaptar uma história tão forte para o cinema, mas o que foi alcançado é um trabalho denso e magnificamente bem orquestrado e conduzido.

É aterrorizante saber que muito do que se vê na tela aconteceu de verdade. Não só a violência física, mas também a psicológica e emocional. Ao longo da projeção somos jogados também a essa realidade na qual crimes são vistos, por alguns, como algo normal e vidas são descartáveis.

Palmas para o elenco inteiro que de uma força a imersão inigualáveis conseguem mostrar a dor, o sofrimento, a raiva, a compaixão e tantos outros sentimentos, muitas vezes só com o olhar. A entrega foi tanta que, citando apenas um exemplo, Fassbender desmaiou após gravar uma cena de estupro. Esse comprometimento e direção ímpar de McQueen é que tornam 12 anos de escravidão visceral e poderoso.

Cinemascope - 12 anos de escravidão poster12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)

Ano: 2013

Diretor: Steve McQueen

Roteiro: John Ridley

Elenco Principal: Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Benedict Cumberbatch, Sarah Paulson, Lupita Nyong’o, Paul Dano, Brad Pitt, Paul Giammati.

Gênero: Drama

Nacionalidade: EUA

 

 

 

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Por Fausto Fernandes Já diz o famoso ditado que “quando se perde algo, é que damos real valor”, pois em 12 anos de escravidão um homem perde o que talvez seja o bem mais precioso (e menos apreciado) do ser humano: sua liberdade. Em 1841, o músico Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) - já longe de casa e da família, enganado com a promessa de um trabalho melhor - é drogado e comercializado como escravo em um Estados Unidos, não tão unido assim. Solomon se viu inerte e encontrou na aceitação o modo de sobreviver a toda aquela barbárie e, um…

Avaliação geral

Avaliação geral

5

Sobre Fausto

Jornalista e aspirante a cineasta. Fortemente inspirado por Wes Anderson, Woody Allen, Lars Von Trier, Sofia Coppola e outros tantos. Desde que se conhece por gente, gosta de um bom filme e a vontade de atuar na área o fez se mudar para Los Angeles, onde respirou cinema por 2 anos. E claro, não dispensa uma cervejinha.
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