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Cinemascope-alabama-monroe (11)

Alabama Monroe

Por Jenilson Rodrigues

Diferente do que estamos acostumados a ver no cinema, Alabama Monroe é uma experiência mágica que apresenta um final na tela, mas que levamos conosco para onde formos, como se ele se estendesse eternamente. É o tipo de filme que nos faz revisitá-lo em nossa mente toda vez em que nos confrontamos com algo que se aproxime do incrível universo criado pelo jovem diretor Felix Van Groeningen.

Didier (Johan Heldenberg), um músico de bluegrass, um legítimo cowboy que mora num trailer e cuida de uma pequena propriedade rural, é ateu e completamente apaixonado pela música. Sua vida muda quando conhece Elise (Veerle Baetens), uma linda e jovem tatuadora, também apaixonada pelo que faz, mas com uma visão de mundo completamente diferente. É mais religiosa, porém mais realista e ao mesmo tempo mais esperançosa com a vida. Essa introdução estaria correta caso o longa se desenvolvesse dessa forma, mas não funciona bem assim. Essas conexões, o próprio espectador é que fará e construirá sua versão para o intrigante e inteligente roteiro que valoriza cada um dos 110 minutos do filme.

O maior destaque são as músicas, as belíssimas canções executadas pela The Broken Circle Breakdown Bluegrass Band – que também se apresenta fora das telas – ditam o ritmo dos acontecimentos e são responsáveis principalmente pela introdução de cenas alegres ou pesadas. Isso faz com que o roteiro flua mais naturalmente e quem acompanha a história acaba se surpreendendo a cada nova tomada, a cada passagem, seja ela um ponto crucial da trama ou apenas um detalhe corriqueiro na vida dos protagonistas. A cena em que Wayfaring Stranger é executada é uma das mais surpreendentes e emocionantes vistas no cinema recentemente.

Como se não bastassem trilha sonora e roteiro impecáveis, a fotografia também é um fator primordial para fazer de Alabama Monroe um filme ainda mais interessante. A bela região de Ghent, na Bélgica, é retratada de forma delicada com tons suaves nos momentos mais poéticos da narrativa e tons carregados em instantes mais obscuros. Parece óbvio, mas não é uma regra, pois algumas cenas mais tensas são atenuadas de acordo com as nuances que casam perfeitamente com as trilhas executadas.

Alabama Monroe – chamado originalmente de The Broken Circle Breakdown – é uma obra magnífica sobre amor, dor, superação, fé, esperança e ao mesmo tempo uma aula de cinema. Felizmente, neste ano, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas terá muito trabalho para selecionar o vencedor do Oscar na categoria Melhor Filme Estrangeiro. O ótimo longa do diretor Felix Van Groeningen concorrerá a estatueta tendo pela frente fortíssimos candidatos ao prêmio. Saindo vencedor ou não, com ou sem reconhecimento, o certo é que nenhuma crítica ou análise será capaz de tirá-lo do coração de todo bom cinéfilo.

Cinemascope-alabama-monroe-poster-brAlabama Monroe (The Broken Circle Breakdown)

Ano: 2013

Diretor: Felix Van Groeningen

Roteiro: Felix Van Groeningen, Carl Joos

Elenco Principal: Johan Heldenberg, Veerle Baetens, Nel Cattrysse, Jan Bijvoet

Gênero: Drama/ Música

Nacionalidade: Bélgica

 

 

 

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Galeria de Fotos:

Por Jenilson Rodrigues Diferente do que estamos acostumados a ver no cinema, Alabama Monroe é uma experiência mágica que apresenta um final na tela, mas que levamos conosco para onde formos, como se ele se estendesse eternamente. É o tipo de filme que nos faz revisitá-lo em nossa mente toda vez em que nos confrontamos com algo que se aproxime do incrível universo criado pelo jovem diretor Felix Van Groeningen. Didier (Johan Heldenberg), um músico de bluegrass, um legítimo cowboy que mora num trailer e cuida de uma pequena propriedade rural, é ateu e completamente apaixonado pela música. Sua vida…

Avaliação geral

Avaliação Geral

5

Sobre Jenilson

Aficionado por música, cinema e literatura. Colecionador de livros, discos e filmes. Mineiro e fã dos filmes estilo "nó na mente" como os de Michel Gondry e Spike Jonze. Apreciador de boas conversas, principalmente sobre cinema.
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