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Inverno da Alma

Por Joyce Pais
Baseado em um livro de Daniel Woodrell e co-roteirizado por Granik e Anne Rosellini, Inverno da Alma chega ao Oscar 2011 como um filme cult independente que atraiu olhares da crítica especializada e do público norte-americano; contrapondo seu baixo orçamento com sua riqueza simbólica e reafirmando uma tendência atual de reconhecimento a produções consideradas “menores”, haja visto os casos de Cisne Negro, 127 Horas e O Discurso do Rei, todos produzidos com menos de 20 milhões de dóllares.

O drama contado é centralizado na vida de uma jovem de 17 anos chamada Ree Dolly (Jennifer Lawrence) que vive no interior de algum estado  arcaico do sul dos EUA e carrega a responsabilidade de cuidar dos dois irmãos mais novos, já que sua mãe vive em estado catatônico e seu pai é um traficante desaparecido conhecido por cozinhar speed (produzir metanfetamina).

A questão primária do filme é o já citado desaparecimento do criminoso Jessup Dolly e o acordo que este fez com a justiça, que garantia a tomada da casa e da madeireira da família como forma de pagamento caso ele não aparecesse em uma audiência. A partir daí inicia-se a incansável e tortuosa saga da garota em busca do pai, esteja ele vivo ou morto. A única maneira de salvar sua família da tragédia de perder os poucos bens que possui é entrar em contato com personagens do passado, como por exemplo a segunda esposa do pai (Sheryl Lee, mais conhecida por interpretar nos anos 90 Laura Palmer no seriado Twin Peaks) e sua melhor amiga Megan, cuja brutalidade do marido, a princípio, dificulta ajudar Ree em sua empreitada.O clima ameaçador que paira no ar e na vida da jovem aliado a cenários secos e cinzas, diga-se de passagem muito bem articulados fotograficamente por Michael McDonough a proposta da narrativa, convergem diretamente para a precariedade e miséria da vida familiar retratada de forma realista.

Com o foco na força e determinação (que não se sabe de onde vem) da adolescente, o longa contrapõe sua forte personalidade ao machismo típico da pequena cidade, exemplificada seja pelo poderoso Thump Milton e seus capangas ou até mesmo pelo seu complexo e instável tio Teardrop, que ora ameaça a sobrinha com violência, ora a salva das garras de Merab e suas irmãs.

É emocionante ver a relação entre Ree e seus irmãos, principalmente quando ela os prepara “para a vida” ou para se defenderem sozinhos das adversidades cotidianas ensinando-os a caçar esquilos.

Interessante o fato de nunca ser mostrada a imagem de seu pai, nem sequer com uma lembrança em flashback, ele simplesmente não aparece na tela. Isso além de aumentar o mistério em torno de seu sumiço, só retifica a “ausência” de sua figura na vida dos filhos.

Ainda que o ritmo da narrativa não sirva para modificar drasticamente o curso dos fatos e das pistas, com o passar dos minutos a admiração por Ree só cresce, transportando o espectador para aquele universo em que, a um som folk a la Johnny Cash, todos encontram numa carreira de cocaína a fuga para aquela realidade.

Inverno da Alma já conquistou os prêmios de melhor filme e melhor roteiro em Sundance, National Board, os independentes Gotham, Independent Spirit e British Independent, além de indicações de Jennifer Lawrence para o SAG e o Globo de Ouro e do coadjuvante John Hawkes para o SAG e Independent.

Mesmo que as previsões se confirmem e o filme não saia do Teatro Kodak com as estatuetas em mãos, Debra Granik conseguiu passar sua mensagem e o mais importante: foi ouvida.

Cinemascope---Inverno-da-Alma-PosterInverno da Alma (Winter’s Bone)

Ano: 2010

Diretor: Debra Granik.

Roteiro: Debra Granik, Anne Rosellini.

Elenco Principal: Jennifer Lawrence, John Hawkes, Kevin Breznahan.

Gênero: Drama.

Nacionalidade: EUA.

Veja o trailer:

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Por Joyce Pais Baseado em um livro de Daniel Woodrell e co-roteirizado por Granik e Anne Rosellini, Inverno da Alma chega ao Oscar 2011 como um filme cult independente que atraiu olhares da crítica especializada e do público norte-americano; contrapondo seu baixo orçamento com sua riqueza simbólica e reafirmando uma tendência atual de reconhecimento a produções consideradas “menores”, haja visto os casos de Cisne Negro, 127 Horas e O Discurso do Rei, todos produzidos com menos de 20 milhões de dóllares. O drama contado é centralizado na vida de uma jovem de 17 anos chamada Ree Dolly (Jennifer Lawrence) que…

Avaliação geral

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5

Sobre Joyce

Fundadora e editora do Cinemascope, jornalista, paulistana, fotógrafa, apaixonada por David Lynch, Pedro Almodóvar, Marilyn Monroe e café.
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