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O Ato de Matar

Por Mário Neto

Imagine se Adolph Hitler, Augusto Pinochet ou Saddan Hussein fossem convidados a conceberem cinematograficamente a rememoração de seus atos genocidas, uma proposta de cunho altamente estarrecedor, correto? Pois essa é exatamente a premissa do documentário O Ato de Matar, dirigido pelo estreante Joshua Oppenheimer, que conta com produção executiva de Werner Herzog e Errol Morris.

Em 1965, a Indonésia, assolada por uma terrível instabilidade política, sofre um golpe militar, o qual resulta em uma perseguição e extermínio de todos aqueles que, supostamente, se opusessem ideologicamente ao regime, fossem eles comunistas, camponeses, intelectuais ou até mesmo imigrantes chineses. Paramilitares foram designados para a execução dessa tarefa, bem como a emblemática figura dos gangsters, grupo de homens que vivem a margem de qualquer ética moral que exista, ou como eles mesmos definem a todo momento “homens livres”.

O diretor propõe que alguns dos responsáveis diretos desse massacre recriem com total liberdade criativa os assassinatos que cometeram no passado, convertendo esse processo em um filme. Dentre eles esta Anwar Congo, a figura central do projeto, carismático, desenvolto, respeitado e visto como um herói patriota, ele conduz todo o processo de construção do “filme dentro do filme”, tomando a frente nas decisões, recrutando “atores” (moradores de vilarejos) e colaboradores, desenvolvendo depoimentos ricos em detalhes traumatizantes, além de expor seu ponto de vista contundente a cerca das atrocidades que ele e seus companheiros cometeram no passado.

Intensamente perturbador: esse é o adjetivo mais pungente que ecoa no subconsciente do espectador após assistir essa retratação do maior grau de perversidade, sadismo e impenitência que o ser humano pode atingir. O orgulho estampado nos rostos daquelas pessoas que de maneira vil, chacinaram centenas de milhares de homens, mulheres e crianças, por motivos irrisórios e supérfluos, discorrendo seus feitos atrozes com toda naturalidade possível, é algo completamente impossível de se conceber e digerir.

Mesmo o final inesperado em que Anwar esboça um possível remorso e reflexão para com suas atitudes brutais de tempos passados, é incapaz de superar a perplexidade que fica ao se perceber que ainda se exaltem esse tipo de conduta abominável. Fenômeno evidenciado na cena em que se comentam tais monstruosidades em um talk show de um canal nacional de modo irreverente e leve. O Ato de Matar é um filme importante e interessante no sentido de evidenciar o lado mais obscuro do ser humano, mas é acima de tudo um filme extremamente difícil de ser assistido e mais difícil ainda de se escrever sobre.

cinemascope-o-ato-de-matar-posterO Ato de Matar (The Act of Killing)

Ano: 2012

Diretor: Joshua Oppenheimer

Elenco Principal: Anwar Congo, Herman Koto e Adi Zulkadry.

Gênero: Documentário

Nacionalidade: Dinamarca, Noruega, Reino Unido.

 

 

 

 

 

 

 

Confira o trailer:

Por Mário Neto Imagine se Adolph Hitler, Augusto Pinochet ou Saddan Hussein fossem convidados a conceberem cinematograficamente a rememoração de seus atos genocidas, uma proposta de cunho altamente estarrecedor, correto? Pois essa é exatamente a premissa do documentário O Ato de Matar, dirigido pelo estreante Joshua Oppenheimer, que conta com produção executiva de Werner Herzog e Errol Morris. Em 1965, a Indonésia, assolada por uma terrível instabilidade política, sofre um golpe militar, o qual resulta em uma perseguição e extermínio de todos aqueles que, supostamente, se opusessem ideologicamente ao regime, fossem eles comunistas, camponeses, intelectuais ou até mesmo imigrantes chineses.…

Avaliação geral

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4

Sobre Mario

Comunicólogo, aspirante a cineasta, roteirista, cinéfilo apaixonado, influenciado por Kubrick, Truffaut, Bergman, Von Trier, Haneke, Irmãos Coen, Lynch, Tarantino, Glauber Rocha e Cluadio Assis, Basquiat, Banksy, Bukowski e Nietzsche, gosto de cerveja, longas discussões e desenhos animados.
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