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Laranja Mecânica

Por Heleni Flessas

Violento, satírico e assustador – estas são apenas algumas palavras quase sempre utilizadas para descrever Laranja Mecânica, um dos maiores filmes de Stanley Kubrick. Para a alegria de muitos apreciadores, a obra ganhou uma cópia remasterizada digitalmente e foi lançada no CineSESC, em São Paulo, no último dia 26 de Abril.Lançado no ano de 1971 em um cenário conservador e para um público ainda não muito acostumado com demonstrações de sexo e violência nas telas, pode-se imaginar o quão impactante o filme foi na época. Revisitado hoje, pode ser que a obra não seja mais tão chocante, mas não há dúvida: ele ainda impressiona por sua crueza e intrigante trilha sonora.

Adaptado do livro homônimo de Anthony Burgess, lançado em 1962, Laranja Mecânica acompanha uma gangue de sociopatas liderada por Alex (Malcolm McDowell) e seus “droogs”. O filme é narrado no idioma “Nadsat”, uma mistura de inglês, russo e cockney – dialeto de Londres. Passando por trilhas de violência, sangue e estupro, a obra trata, também, dos meios repressivos utilizados para combater tais manifestações – o tratamento Ludovico, no filme, é uma terapia experimental de aversão, desenvolvida pelo próprio governo para acabar com o crime na sociedade. Alex passa por um ciclo de ascensão e queda, representando o jovem médio britânico da época – um indivíduo instruído mas sem perspectiva alguma.

A trilha sonora brilhante, composta por Wendy Carlos e que mistura música clássica (Beethoven, Rimsky-Korsakov) e música eletrônica, fornece uma extensão do psicológico de Alex e, portanto, é de enorme importância para a construção das cenas.

Apesar de muitos críticos terem acusado Kubrick pelo uso escancarado de violência, sua intenção, bem como a de Burgess, era de trazer à luz essa situação de extremos e de como os abismos podem ser prejudiciais. O filme pode ter demorado a ser compreendido, mas conseguiu, e acabou se tornando um grande clássico.

VOCÊ NÃO SABIA QUE…

– Foi indicado ao Oscar de Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Filme.

– O orçamento total da obra foi de apenas US$ 2,2 milhões.

– A cobra, Basil, foi inserida nas filmagens quando Stanley Kubrick descobriu que Malcolm McDowell tinha medo delas.

– A cena em que Alex canta “Singing In The Rain” foi fruto de um improviso. Insatisfeito com a cena, Kubrick perguntou a McDowell se ele poderia dançar. Quando refizeram a cena, McDowell não só dançou, como cantou a primeira música que conseguiu lembrar. Kubrick acabou comprando os direitos da música. Gene Kelly ficou decepcionado com a forma como sua versão para o tema de “Cantando na Chuva” foi utilizada.

– Na cena em que Alex fala com o padre sobre a terapia Ludovico, vemos prisioneiros marchando em círculo no pátio. A cena é uma recriação da pintura de Vincent van Gogh, chamada “Prisioneiros se exercitando”, de 1890.

– A acelerada cena de sexo foi filmada em um único take de 28 minutos.

Veja o trailer:

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Sobre Heleni

Estudante de Letras - Tradução na UnB e Comunicação Social no UniCEUB, morou na Austrália e hoje tem Brasília como sua casa. Curiosa por natureza, não se cansa de descobrir o mundo.
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