Por Joyce Pais

Abertura no Festival de Veneza deste ano, Gravidade chega ao Brasil embalado por ótimas críticas da imprensa internacional. O longa retrata o drama vivido por Matt Kowalski (George Clooney), um astronauta experiente que está em missão de conserto ao telescópio Hubble e pela doutora Ryan Stone (Sandra Bullock), quando ambos são surpreendidos por uma chuva de destroços decorrente da destruição de um satélite por um míssil russo, que faz com que sejam jogados no espaço sideral. Sem qualquer apoio da base terrestre da NASA, eles lutam por sua sobrevivência em meio a um ambiente completamente inóspito para a vida humana.

A história é bem simples. Minimalista, eu diria. Mas isso não impede Gravidade de ser um considerado não somente um ótimo filme de gênero (ficção científica, no caso), já que seus dramas extrapolam o espaço sideral, para falar, principalmente, de conflitos pessoais. Quase como um “road movie do espaço”, Gravidade faz evidente uma certeza agoniante: o quão somos pequenos quando comparados a essa imensidão chamada Terra.

Gravidade tem muitos méritos. Desenvolver uma narrativa coesa durante 90 minutos de projeção apoiando-se somente em uma dupla de protagonistas (parecido com o que foi feito em 127 Horas) não é fácil. A eficiente direção de Alfonso Cúaron (Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban; 2004) e os movimentos de câmera empregados por ele, principalmente a câmera subjetiva, transportaram o espectador para aquele ambiente de tensão e perigo iminente. Não só acompanhamos a trama se desenrolando, mas ficamos apreensivos antecipando o que está por vir.

Impossível não citar o trabalho de Design de Som realizado no filme. Alternando momentos de silêncio absoluto – reforçando a solidão daqueles personagens e a certeza de estarem por conta própria – a trilha incidental acentua os momentos de clímax, ora estimulando, ora deixando quem assiste em suspenso, assim como Stone e Kowalski estão. O uso do 3D foi um grande aliado ao filme, seu uso inventivo e inteligente possibilitou uma imersão sensorial nos satélites, e em se tratando de ficção científica, o uso dessa tecnologia andou lado a lado com a trama.

Gravidade não correu o risco de se aprofundar no drama de Stone, não correndo o risco também de se tornar piegas e forçado, já que a situação vivida por ela já era dramática o suficiente e sair viva dali era o seu objetivo principal. Para quem achou que foi sorte de principiante Sandra Bullock ter vencido o Oscar em 2010, por Um Sonho Possível (2009), ela veio para mostrar que, ademais outros papéis dramáticos que viveu, como em 28 Dias (2000), por exemplo, Bullock é capaz de encarar o desafio. E foi isso que fez em Gravidade.

Na ultima cena do filme, o contra plongée em Stone edifica sua trajetória, que como ela mesma já havia dito “independente do que acontecer, essa experiência já foi maravilhosal”. Preciso concordar.

Cinemascope -Gravidade - Poster-BRGravidade (Gravity)

Ano: 2012

Diretor: Alfonso Cuarón

Roteiro: Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón, Rodrigo García.

Elenco Principal: Sandra Bullock, George Clooney.

Gênero: ficção científica.

Nacionalidade: EUA

 

 

 

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