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Cinemascope - Dev d

Dev. D

Por Marília Bacci

Alô pessoal! Vamos agora pra mais uma crítica de filme indiano, e o escolhido foi Dev.D (2009). Do novo, e já aclamado até em Cannes, diretor Anurag Kashyap, e com Abhay Deol, Kalki Koechlin e Mahie Gill nos papéis principais, o filme é uma adaptação moderna do romance Devdas (o mesmo que eu falei no post anterior, da Madhuri Dixit). Ele foi muito bem recebido pela crítica mesmo não sendo um estereótipo do cinema indiano.

A linha principal do filme é a mesma de seu precursor: Dev é apaixonado por Paro, mas quando ele vai estudar fora do país, e por causa da diferença entre as duas famílias, os dois acabam não se casando. Entre momentos sóbrios e embriagados ele acaba conhecendo Chandramukhi, uma garota de programa, e começa a gostar dela. Na adaptação de Anurag Kashyap Dev e Paro se conhecem pois ela é filha da criada da família dele. Chandramukhi, nome fictício de Leni, é uma menina de classe média alta que tem um vídeo seu com o namorado divulgado para toda a escola. Seu pai a expulsa de casa e ela acaba virando garota de programa.

Todo o contexto do filme foi pensado para os tempos atuais, mostrando o lado sombrio e os problemas da cidade da história, assim como temos em todas as cidades do mundo moderno. Aparecem cenários como pubs escondidos da fiscalização, traficantes de drogas e prostíbulos.

Cinemascope - Dev D (8)

A trilha sonora e a iluminação do filme fizeram muito bem o papel delas, dando o tom certo para nos passar a visão do diretor sobre a história. Cada personagem tem seu padrão de luz. As cenas de Dev eram iluminadas com luz natural sempre que ele estava com Paro e até antes dele ir viajar para o exterior, assim que ele volta de viagem suas cenas passam a estar sempre nas sombras. Quando ele conhece Chandramukhi a iluminação se abre um pouco, mas ainda não é tão clara como quando ele está com Paro (na infância ou já na fase adulta). A trilha sonora para ele também segue essa mesma divisão de fases. Antes dele viajar as músicas são mais animadas, condizendo com o estado emocional da personagem. Assim que ele muda a trilha o segue, ficando caótica.

Leni/Chandramukhi tem iluminações diferentes para cada momento de sua vida. Quando estava no colégio era praticamente só luz natural. A trilha da seqüência em que conhecemos Leni se encaixa perfeitamente com a transformação da personagem. Ela começa calma e alegre e vemos Leni se trocando para ir pra escola, assim que ela sai de casa o namorado a pega no caminho e eles vão para um motel. Lá o namorado faz um vídeo dos dois e manda para os amigos do colégio, que mandam para os outros, que mandam para os outros, e aí já viram né. Ela chega na escola, como se não tivesse acontecido nada, e todos começam a olha pra ela e a repetir a frase que o bendito (ou seria maldito) falava pra ela no vídeo. Nisso a trilha vai diminuindo a velocidade e a personagem corre para se esconder no banheiro do colégio. Quando Leni se transforma em Chandramukhi a iluminação das cenas passa a ser artificial, pois ela está sempre no quarto onde atende os homens.

Paro é a que menos aparece das três personagens principais, mas sempre que ela aparece há uma melhora no emocional de Dev e conseguimos perceber isso pela iluminação das cenas. Quando ela está com o marido e família as cenas são sempre com muito sol.

O filme foi muito bem recebido pela crítica e pelos espectadores. Em 2013 foi comemorado 100 anos de cinema indiano e Anurag Kashyap foi convidado para dirigir um dos quatro curtas que formaram o filme Bombay Talkies, em homenagem ao cinema e seus atores. Aguardem pelas próximas críticas de filmes dele, se você acha que dancinhas são demais pra você, então achou um diretor que você não vai se decepcionar com os filmes.

Sobre Marília

Brasileira, com uma pitada de curry indiano. Fotógrafa; cinéfila, com preferências; feminista; amante de comida, e de Shahid Kapoor e Madhuri Dixit.
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