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Chaplin

Chaplin

Por Magno Martins

Para encerrar este grande especial sobre a vida e obra de Chaplin aqui no Cinemascope, nada melhor do que escrever sobre o filme a que mais chegou perto da vida de um dos maiores gênios do Cinema. Lançado em 1992, o longa Chaplin trouxe para as telas a biografia de Charles Chaplin, mostrando as dificuldades na infância, os desafios e conquistas na juventude, além de mostrar as inúmeras reviravoltas que Chaplin passou tanto em sua vida pessoal quanto em sua vida profissional.

Com direção de Richard Attenborough (vencedor do Oscar como Melhor Diretor com o filme Gandhi, em 1982) o filme contou com a incrível atuação de Robert Downey Jr (Homem de Ferro) que, aos 27 anos, recebe o primeiro grande papel em sua carreira cinematográfica: reviver toda a trajetória de Chaplin, desde sua adolescência até receber seu Oscar Especial. Além de Robert, o filme contou com a participação de Hannah Chaplin, dando vida à sua própria avó materna.

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Baseado nos livro My Autobiography e Chaplin: His Life and Art, o filme começa mostrando Chaplin e sua esposa Oona O’Neill morando na Suíça, já bem mais velho e aposentado de sua brilhante carreira como diretor, ator e produtor de cinema. Sendo entrevistado pelo seu editor George Hayden (Anthony Hopkins), Chaplin inicia uma série de relatos sobre sua trajetória, onde toda a narrativa do filme se baseia em muitos flashbacks, dando vida aos fatos relatados para o espectador, com uma direção fotográfica fiel em todas as décadas que o filme perpassa, além dos figurinos impecáveis, trilha sonora e maquiagem sem igual.

A história de Charles Spencer Chaplin é, de fato, recheada de muitos dramas desde sua infância. O filme retrata, com precisão, todo o drama da família Chaplin: aos três anos, ele viveu o divórcio dos pais, e passou a viver com sua mãe Hannah e seu meio irmão Sydney muitas dificuldades. Para sobreviver, Hannah tenta reerguer sua carreira como cantora, mas, devido a um problema com sua faringe e seus distúrbios mentais, ela tinha dificuldades ao se apresentar. Certo dia, sua mãe foi agredida no palco: uma chuva de vaias e objetos diversos foram lançados em um palco onde se apresentava e, ao ver sua mãe naquele estado, Chaplin, aos cinco anos, sobe ao palco e interpreta a música Jack Jones, arrancando aplausos de todos os presentes.

Após esse fato, Hannah é forçada a se separar dos filhos e se internar em uma clínica psiquiátrica. Charles é separado de seu irmão também e vai viver em um orfanato até sua adolescência. Após reencontrar seu irmão, Charles e Sydney buscam sobreviver em teatros, onde Charles dá vida aos personagens mais engraçados para plateias em diferentes espetáculos e personagens. Somente ao ir para os EUA, em uma turnê de teatro, é que Chaplin conhece o cinema e se encanta. Após o fim da turnê e, ao retornar para a Inglaterra por apenas cinco meses, Chaplin retornaaos EUA e começa sua incrível jornada.

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A partir de então que o filme relata fielmente os primeiros passos de Chaplin no cinema como ator, retratando até mesmo como concebeu o ilustre e mais admirado personagem, O Vagabundo. Os bastidores, as produções e todo o processo de seus curtas e filmes são relatados, fazendo um paralelo com sua vida pessoal: os amores, as brigas, as divergências e todo o seu poder de persuasão, com notoriedade e respeito por muitos, e invejas e preconceitos por outros. Além disso, o filme retrata a famosa resistência de Chaplin com o cinema falado e o cinema a cores, com uma perspectiva e visão que a imprensa na época não tinha nenhuma intenção de relatar. O filme não se preocupa (e de fato não deveria se preocupar) em esconder todos os escândalos e momentos ruins de sua carreira, que vão desde seus relacionamentos conturbados (muitos deles com mulheres décadas mais novas do que ele) até mesmo as críticas políticas de suas produções. Em alguns momentos o espectador se depara com um Chaplin ríspido e, muitas vezes, inconsequente, mas em nome de sua arte, Chaplin segue fielmente suas convicções, transformando-se, assim, em um dos maiores diretores de todos os tempos.

Nos momentos finais do filme o espectador é levado a uma série de fatos emocionantes sobre a vida de Chaplin: ao ser expulso dos EUA por problemas políticos, ele se isola do mundo na Suíça com sua esposa e família. O grande momento de toda a produção do filme é, sem sombras de dúvidas, quando ele recebe um Oscar Especial em 1972 por toda sua obra, onde é exibido para o público presente uma retrospectiva de toda sua obra, arrancando gargalhadas e lágrimas de todos presentes. É nesse momento que, certamente, Chaplin tem a certeza de que todo o seu trabalho, toda a sua vida não foi em vão: com seu cinema ele realmente transformou vidas, seja na tela ou fora dela. E é o brilho do seu olhar, ao ver tudo aquilo, que traz a certeza de sua importância inigualável na sétima arte.

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Chaplin recebeu três indicações ao Oscar de 1993 nas categorias Melhor Ator (Robert Downer Jr.), Melhor Direção de Arte e Melhor Trilha Sonora. No Globo de Ouro, recebeu indicações nas categorias Melhor Ator – Drama (Robert Downer Jr.), Melhor Atriz Coadjuvante (Geraldine Chaplin) e Melhor Trilha Sonora. Já no BAFTA, Robert Downer Jr. Recebeu o prêmio de Melhor Ator e o filme foi indicado nas categorias Melhor Desenho de Produção, Melhor Maquiagem e Melhor Figurino.

Certamente Chaplin é a obra definitiva que relatou, com maestria, toda a trajetória de um grande gênio do Cinema. Para os fãs ou até mesmo quem gostaria de conhecer mais sobre a vida de Charles Chaplin, é um filme mais do que indicado: obrigatório. Mas, é bom ressaltar que, ao ver toda sua filmografia até chegar nesse filme, dá uma visão melhor de sua visão de vida em seus trabalhos. E não, não há dúvidas sobre esse ser humano que viveu em prol de sua arte para todos nós: Charles Chaplin transformou não somente vidas e o Cinema: transformou de certa forma, o mundo que vivemos.

Confira o trailer:

 

Sobre Magno

Mineiro, Planner Digital e colaborador do Cinemascope para levar o melhor conteúdo para você!
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