Autor: Donny Correia

Sobre

Donny Correia

Poeta, crítico e ensaísta. Possui mestrado em Estética e História da Arte pela USP onde, atualmente cursa doutorado no mesmo campo. Autor de Corpocárcere (poesia), Zero nas veias (poesia) e Cinematographos de Guilherme de Almeida (antologia).

Efeito Kuleshov ou Porque os russos não brincam em serviço

Os russos nunca dormiram em serviço. Pense no Suprematismo de Malevitch, o Construtivismo propagandístico soviético e o Efeito Kuleshov. São provas que artistas de diferentes linhas se preocuparam em pesquisar os limites da constituição exata na arte. Muito além da narrativa fluida experimentada por Hollywood, estavam as investidas artístico-científicas da escola soviética de cinema. Na América, Griffith se preocupava em cunhar uma gramática que confortasse o espectador. O intuito era concentrá-lo na narrativa do filme sem se preocupar com os recursos que a ela levariam. Enquanto isso, por volta de 1921, na Rússia, Lev Kuleshov aperfeiçoava um experimento. O...

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Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e a ilusão no cinema

A historiografia do cinema convencionou a ideia de que o filme é uma ilusão. Isso aconteceu antes mesmo da invenção dos maravilhosos efeitos rudimentares, mas eficazes, de George Meliés. O filme é o simulacro da vida. Este simulacro pode ser a imagem de uma paisagem tal qual reconhecemos no mundo real.  Assim como uma cena fantástica destacada do conceito de realidade, como nos filmes de terror ou ficção-científica. Por outro lado, também podemos verificar quão maravilhosa é a ilusão quando deixamos nosso cérebro enganar ostensivamente nossas retinas. Construções impossíveis em Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças Se olharmos...

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2001: Uma Odisseia no Espaço – a maior elipse da história do cinema

2001: Uma Odisseia no Espaço (crítica aqui) é considerado por muitos um dos melhores filmes já feitos. Inovador de diversas maneiras, o título marcou o gênero da ficção-científica e quebrou recordes da linguagem cinematográfica. Até o surgimento desta obra-prima de Stanley Kubrick, a elipse mais radical da história do cinema era atribuída ao “inventor” da linguagem fílmica, D. W. Griffith. Seu filme de 1916, Intolerância, conta quatro histórias. Cada uma decorre em diferentes momentos do curso da humanidade, desde a Paixão de Cristo até o começo do século 20. Alternando blocos narrativos, o cineasta americano organizou um passeio pela...

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Forma versus conteúdo: como contar uma história

A questão da forma versus conteúdo no cinema é algo tão inerente quanto a discussão que permeia as artes plásticas. O debate circunda a harmonia clássica entre o traço e a narrativa ou a dissociação entre ambas em obras vanguardistas. Em cinema, não nos parece estranho que um filme se valha de movimentos de câmera exóticos, fotografia naturalista ou alegórica. Aceitamos interpretações de linhas brechtiana ou influenciadas por Stanislavsky, desde que o enredo tenha lógica mínima de causa e efeito. O texto deve guiar o espectador por solo seguro. Nesse caminho ele sentirá as relações orgânicas entre a psicologia dos...

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