Autor: Donny Correia

Sobre

Donny Correia

Poeta, crítico e ensaísta. Possui mestrado em Estética e História da Arte pela USP onde, atualmente cursa doutorado no mesmo campo. Autor de Corpocárcere (poesia), Zero nas veias (poesia) e Cinematographos de Guilherme de Almeida (antologia).

Som no cinema: mais alto, por favor!

A rigor, sempre houve som no cinema. As projeções mudas do início do século 20 eram acompanhadas por uma pianola ao vivo. Ou mesmo por atores posicionados atrás da tela, mimetizando diálogos e onomatopeias, e verdadeiras orquestras abaixo da projeção. As tentativas de sincronização entre som e imagem começaram desde Thomas Edison, que em 1894 experimentava seu kinetoscópio. Nessa época ele já dominava plenamente o fonógrafo. Até o fenômeno de O Cantor de Jazz (1927) foram quase 25 anos, mas uma vez domesticado, o filme sonoro tornou-se febre e o som no cinema. Obrigatório. Houve quem apostasse que, com a chegada...

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Efeito Kuleshov ou Porque os russos não brincam em serviço

Os russos nunca dormiram em serviço. Pense no Suprematismo de Malevitch, o Construtivismo propagandístico soviético e o Efeito Kuleshov. São provas que artistas de diferentes linhas se preocuparam em pesquisar os limites da constituição exata na arte. Muito além da narrativa fluida experimentada por Hollywood, estavam as investidas artístico-científicas da escola soviética de cinema. Na América, Griffith se preocupava em cunhar uma gramática que confortasse o espectador. O intuito era concentrá-lo na narrativa do filme sem se preocupar com os recursos que a ela levariam. Enquanto isso, por volta de 1921, na Rússia, Lev Kuleshov aperfeiçoava um experimento. O...

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Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e a ilusão no cinema

A historiografia do cinema convencionou a ideia de que o filme é uma ilusão. Isso aconteceu antes mesmo da invenção dos maravilhosos efeitos rudimentares, mas eficazes, de George Meliés. O filme é o simulacro da vida. Este simulacro pode ser a imagem de uma paisagem tal qual reconhecemos no mundo real.  Assim como uma cena fantástica destacada do conceito de realidade, como nos filmes de terror ou ficção-científica. Por outro lado, também podemos verificar quão maravilhosa é a ilusão quando deixamos nosso cérebro enganar ostensivamente nossas retinas. Construções impossíveis em Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças Se olharmos...

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2001: Uma Odisseia no Espaço – a maior elipse da história do cinema

2001: Uma Odisseia no Espaço (crítica aqui) é considerado por muitos um dos melhores filmes já feitos. Inovador de diversas maneiras, o título marcou o gênero da ficção-científica e quebrou recordes da linguagem cinematográfica. Até o surgimento desta obra-prima de Stanley Kubrick, a elipse mais radical da história do cinema era atribuída ao “inventor” da linguagem fílmica, D. W. Griffith. Seu filme de 1916, Intolerância, conta quatro histórias. Cada uma decorre em diferentes momentos do curso da humanidade, desde a Paixão de Cristo até o começo do século 20. Alternando blocos narrativos, o cineasta americano organizou um passeio pela...

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