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Anna Karenina

Anna Karenina

Por Domitila Gonzalez

Pare tudo o que estiver fazendo e veja Anna Karenina.

Por quê? Porque vale cada minuto de atenção.É com uma equipe formidável, recheada de talentos, que uma das histórias de traição mais famosas da literatura russa é contada de uma maneira peculiar.

Imagine um teatro – uma orquestra.

É assim que somos apresentados à sociedade russa do século XIX.  O enredo acontece dentro de uma casa de espetáculos. Ou fora? Ou nos bastidores? Não se sabe. Conforme o som dos instrumentos sendo afinados aumenta, também ampliam-se os planos. Tudo se confunde e está perfeitamente coreografado – orquestrado. Uma cena emenda na outra, deixando o espectador ávido para saber o que virá a seguir.

Tudo é belo e não existe outra palavra. Os planos são belos. As escolhas são belas. Os movimentos de câmera e elenco são impecáveis.

De um plano-sequência a outro, a sala de um restaurante é montada como se estivesse lá desde sempre. Os primeiros quinze minutos do filme são de disparar o coração e fazer os olhos se perderem no meio da tela. Chega a ser tão incrível que parece mágico.

Para os amantes de produções britânicas, é possível distinguir outras figuras conhecidas, além de Matthew MacFadyen (que mesmo bigodudo será para sempre Mr. Darcy), Keira Knightley – muito madura em sua atuação, diferente de outras protagonistas – e Jude Law – que, bem, é Jude Law.

Também fazem parte do longa as queridas Kelly Macdonald (Evangeline, de Nanny McPhe e as Lições Mágicas, 2005) e Olivia Williams (Mrs. Darling, de Peter Pan -2003). E quem diria que aquele nerd esquisito de Kick-Ass (2010) seria o irresistível conde Vronsky? Até Michelle Dockery, a Lady Mary da série Downton Abbey deu o ar da graça!

Depois de inúmeras tentativas de adaptação que não obtiveram sucesso, vemos um filme primoroso. O cuidado que tiveram ao construir a narrativa é visível: as escolhas foram certeiras. Ok, não quase todas. Só acho que poderíamos ser poupados de ver metade das tripas de um cidadão saindo do corpo, quando ele é atropelado na estação de trem. Mas ok.

O ritmo do filme é puxado, porém consegue ter nuances nos lugares certos. Sentimos uma lacuna de movimentação só no finalzinho, mas acredito que seja por conta dos 15 minutos insanos do começo.

Dario Marianelli. O que dizer de Dario Marianelli? São as músicas mais tocadas do meu player – pode crer. E como a trilha instrumental pode ter um poder tão grande sobre um espectador de cinema? Somos mais do que conduzidos, no caso de Anna Karenina, somos embalados. O que eu penso que sejam cantigas tradicionais russas se misturam com outros sons, dando vida aos personagens e às histórias.

O baile. O baile! Os bailes! Netherfield e Moscou estão concorrendo lado a lado. Porque se não tiver cuidado, essas cenas de bailes em grandes salões antigos ficam enfadonhas e cheias de mimimi. Manda um beijo pra equipe de coreografia, porque OLHA… Um ponto altíssimo do filme!

As escolhas de cores complementam a fotografia e direção de arte, dando um brilho extra a cada quadro: da relação obscura de Anna com seu marido, vemos o branco e os tons de azul claro entrando em evidência quando Vronsky entra em sua vida. E se um vestido vermelho entra em cena, aaaah, pode acreditar que é problema.

Keira Knightley causa furor sempre que aparece, seja pelos figurinos belíssimos, ou pelas cenas de amor tórrido e poético com Aaron Taylor Johnson.

Poesia. O filme é a poesia em sua essência: ritmo, plasticidade, perfeita execução.

Para o mais cético, uma equipe formidável não significa nada. Para um filme britânico, uma equipe formidável é tudo. E se a direção de Joe Wright (Orgulho e Preconceito, 2005) e o roteiro de Tom Stoppard (Shakespeare Apaixonado, 1998) não são suficientes para acreditar nisso, preste atenção nas categorias às quais o filme foi indicado ao Oscar e a quem comanda cada uma: Melhor Trilha Sonora Original – Dario Marianelli – que por um acaso também é o compositor de Orgulho e Preconceito e V de Vingança (2005). Melhor Fotografia – Seamus McGarvey – que tem em seu currículo nada mais que Os Vingadores (2012), Precisamos Falar Sobre Kevin (2011), O Garoto de Liverpool (2009) e Desejo e Reparação (2007). Melhor Figurino – Nanny McPhee e as Lições Mágicas, Desejo e Reparação (2007), Orgulho e Preconceito . Melhor Direção de Arte – Niall Moroney – Sherlock Holmes (2009).

Eu sei, eu sei. Equipe de primeira.

Então, pare tudo o que estiver fazendo e vá ver Anna Karenina.

Não porque é uma bela adaptação para o romance de Tolstói.
Não porque tem Keira Knightley em figurinos estonteantes.
Não porque tem Matthew Macfadyen com um senhor bigode.
Não porque tem Jude Law, que mesmo careca continua incrível.
Não porque tem Aaron Taylor-Johnson e seus olhos azuis.

Mas porque Anna Karenina é uma verdadeira obra de arte em forma de filme.

 

Anna Karenina (6)Anna Karenina 

Ano: 2012

Diretor: Joe Wright.

Roteiro: Tom Stoppard (adaptação do romance de Tolstói).

Elenco Principal: Keira Knightley, Jude Law, Aaron Johnson, Kelly Macdonald.

Gênero: Drama.

Nacionalidade: Reino Unido.

 

 

 

Veja o trailer:

Galeria de Fotos:

Por Domitila Gonzalez Pare tudo o que estiver fazendo e veja Anna Karenina. Por quê? Porque vale cada minuto de atenção.É com uma equipe formidável, recheada de talentos, que uma das histórias de traição mais famosas da literatura russa é contada de uma maneira peculiar. Imagine um teatro – uma orquestra. É assim que somos apresentados à sociedade russa do século XIX.  O enredo acontece dentro de uma casa de espetáculos. Ou fora? Ou nos bastidores? Não se sabe. Conforme o som dos instrumentos sendo afinados aumenta, também ampliam-se os planos. Tudo se confunde e está perfeitamente coreografado – orquestrado.…

Avaliação geral

Avaliação geral

5

Sobre Domitila

Domitila Gonzalez é atriz e jornalista e dedica seu tempo livre a seus diretores favoritos. Adora clássicos, é fã incondicional de preto-e-branco, mas não abre mão das cores de Almodóvar.
Comentários
Lígia disse:

Nooossa, foi o ultimo filme que compete ao oscar que assisti, foi o ‘grand finale’. Uma obra de arte sim, poético, dramático, exuberante, e num ritmo de acelerar o coração! Joe Wright com certeza sabe fazer épicos, se eu o ignorava até agora tá na hora dele subir pro meu top 10 de diretores fodasticos.