Autor: Domitila Gonzalez

Sobre

Domitila Gonzalez

Domitila Gonzalez é atriz e professora de teatro. Sonserina. Cacheada. Divide seu tempo entre miscelâneas da infância e clássicos do cinema mundial. Jura que é pdh em listrinhas fellinianas. Ama direção de arte e trilha sonora. Acha o Oscar uma besteira, mas todo ano maratona os filmes como se não houvesse amanhã. - Não me leve a sério: eu uso meia de bolinhas.

A Voz da Lua

Fazer uma maratona dos filmes mais icônicos de Federico Fellini é uma tarefa complexa. Muito porque, ao longo dos seus 40 anos de carreira, ele passeou por estilos diversos até que encontrasse seu jeito de contar histórias: um passeio peculiar, inventivo por situações, personagens, cidades e temperamentos, que pode nos oferecer um mergulho profundo no inconsciente à mesma medida em que revela tanto da realidade quanto é possível. A Voz da Lua foi o último filme realizado por Fellini, antes de sua morte. Pode-se dizer que foi um presente de referências deixado para seus espectadores, mas acredito que acima...

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Ensaio de Orquestra

É gostoso ver como, ao longo dos anos, Fellini começa a brincar mais com os estilos. Assistir a um filme como Ensaio de Orquestra é quase como se colocar à frente de um picadeiro de circo e acompanhar as diferentes relações de autoridade entre as figuras clownescas, que aparecem como uma maneira de refletir justamente as relações esdrúxulas – e necessárias, talvez? – que existem no mundo real. Perceba: os filmes de Fellini começam antes mesmo de começar. Imagine só uma película que fala sobre música começar com… Barulho. Esta relação entre música e barulho segue sendo discutida até...

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Amarcord

Amarcord – eu me recordo. Como posso eu, que nem sonhava existir no ano de 1973, recordar-me tanto de tudo o que é mostrado ali naquela cidade? Peço licença para escrever sobre um dos meus filmes favoritos. Peço licença ao leitor, que veio em busca de um texto técnico e informativo, para falar sobre a importância que tem um cineasta como Federico Fellini. Principalmente quando abre mais uma vez seu baú de memórias e possibilita que o público tenha acesso a ele. Acredito que as verdadeiras genialidades de Fellini se disfarçam de transeuntes, prostitutas e acordeonistas, contando histórias aqui...

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Os Palhaços

Os palhaços estão sumindo. É a partir dessa afirmação que Fellini dá início a outra fase de sua carreira, preparando um especial para a RAI (TV Italiana) que foi lançado no ano de 1970. Oficialmente, o pedido era para que ele fizesse um documentário. Mas o que vemos mistura realidade e ficção, cinema, circo e teatro, numa tentativa de Fellini de fazer as pazes consigo mesmo, depois de tanta bagunça. As últimas produções de Federico Fellini que haviam feito barulho no meio cinematográfico, até então, tinham sido Julieta dos Espíritos e Satyricon – duas imersões diferentes no universo surrealista....

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Satyricon

Não adianta: alguns filmes – ou cineastas – a gente não pode ficar tentando entender o tempo todo, porque é uma tarefa impossível. Tentar desvendar todas as camadas de todos os filmes de Fellini é quase que fazer com que seus filmes percam a graça, sumam nas listas de inventividade, poesia e transgressão. Satyricon figura no topo da lista dos filmes mais malucos de Fellini. Ainda com bastante influência surrealista seguindo o fluxo de Julieta dos Espíritos, Satyricon é baseado na obra homônima de Petrônio, que foi escrita no século I. Trata-se de uma narrativa fragmentada que basicamente satiriza...

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