Autor: Domitila Gonzalez

Sobre

Domitila Gonzalez

Domitila Gonzalez é atriz e professora de teatro. Sonserina. Cacheada. Divide seu tempo entre miscelâneas da infância e clássicos do cinema mundial. Jura que é pdh em listrinhas fellinianas. Ama direção de arte e trilha sonora. Acha o Oscar uma besteira, mas todo ano maratona os filmes como se não houvesse amanhã. - Não me leve a sério: eu uso meia de bolinhas.

Os Palhaços

Os palhaços estão sumindo. É a partir dessa afirmação que Fellini dá início a outra fase de sua carreira, preparando um especial para a RAI (TV Italiana) que foi lançado no ano de 1970. Oficialmente, o pedido era para que ele fizesse um documentário. Mas o que vemos mistura realidade e ficção, cinema, circo e teatro, numa tentativa de Fellini de fazer as pazes consigo mesmo, depois de tanta bagunça. As últimas produções de Federico Fellini que haviam feito barulho no meio cinematográfico, até então, tinham sido Julieta dos Espíritos e Satyricon – duas imersões diferentes no universo surrealista....

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Satyricon

Não adianta: alguns filmes – ou cineastas – a gente não pode ficar tentando entender o tempo todo, porque é uma tarefa impossível. Tentar desvendar todas as camadas de todos os filmes de Fellini é quase que fazer com que seus filmes percam a graça, sumam nas listas de inventividade, poesia e transgressão. Satyricon figura no topo da lista dos filmes mais malucos de Fellini. Ainda com bastante influência surrealista seguindo o fluxo de Julieta dos Espíritos, Satyricon é baseado na obra homônima de Petrônio, que foi escrita no século I. Trata-se de uma narrativa fragmentada que basicamente satiriza...

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Julieta dos Espíritos

Estamos em 1965 e Federico Fellini lança seu primeiro filme colorido: quase uma viagem lisérgica surrealista pelo inconsciente de Giulietta Boldrini (interpretada por Giulietta Masina, sua esposa). Recheada de planos-sequência e panorâmicas, a trama gira em torno da seguinte premissa: Giulietta é uma moça casada há 15 anos com um empresário bem-sucedido e começa a desconfiar que está sendo traída. Masina interpreta uma mulher submissa que vive numa mansão, completamente entregue às vontades de seu marido, mas que também vive cercada de luxo. Os primeiros minutos do filme chamam atenção pela sequência na qual muitas empregadas se referem à...

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8 ½

Conforme os anos passam para sua carreira cinematográfica, a estética de Fellini claramente vai ganhando camadas de significados e sofisticação. Até aqui, tínhamos acompanhado sucessos baseados em discursos muito palpáveis que retratavam basicamente as mazelas de uma Itália em meio aos anos 50. Desde A Doce Vida e o retorno triunfante da Cinecittà, com a invasão das estrelas hollywoodianas e o novo boom da indústria cinematográfica na Itália, chegamos aos anos 1960 com Fellini se vendo diante de seu primeiro grande dilema: o que acontece depois que um diretor renomado alcança o sucesso a ponto de conseguir realizar sua obra-prima?...

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A Doce Vida

Diferentemente de suas produções anteriores, A Doce Vida não tem uma cronologia exata. Não é um filme linear, senão episódico. Somos apresentados à personagem vivida por Marcello Mastroianni, um jornalista frustrado cuja função se resume em caçar polêmicas por Roma, já que não consegue escrever seu sonhado livro. – Há quem diga que Marcello, personagem homônimo de Mastroianni, é uma projeção do próprio Fellini, que começou sua carreira no jornalismo muitos anos antes de virar cineasta. Seria uma tarefa inesgotável analisar cada episódio de A Doce Vida separadamente. São muitas camadas e inúmeros símbolos colocados o tempo todo por...

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