Autor: Domitila Gonzalez

Sobre

Domitila Gonzalez

Domitila Gonzalez é atriz e professora de teatro. Sonserina. Cacheada. Divide seu tempo entre miscelâneas da infância e clássicos do cinema mundial. Jura que é pdh em listrinhas fellinianas. Ama direção de arte e trilha sonora. Acha o Oscar uma besteira, mas todo ano maratona os filmes como se não houvesse amanhã. - Não me leve a sério: eu uso meia de bolinhas.

Que estranho chamar-se Federico

Quando o Cinemascope começou a elaborar, juntamente com o Telecine, o Especial sobre o cinema de Federico Fellini, eu me debrucei sobre um material de pesquisa que incluía, além de filmes selecionados do diretor, sua autobiografia, algumas entrevistas concedidas por ele ao longo de sua carreira, e artigos extensos que discutiam o Neorrealismo Italiano. Foi uma enxurrada de referências que me fizeram levantar diversas questões que permanecem sem resposta: o que é fazer cinema, atualmente, no Brasil? O que representa a indústria cinematográfica, hoje, no mundo? A quantas anda, em pleno 2021 pandêmico, a experiência de ir ao cinema?...

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A Voz da Lua

Fazer uma maratona dos filmes mais icônicos de Federico Fellini é uma tarefa complexa. Muito porque, ao longo dos seus 40 anos de carreira, ele passeou por estilos diversos até que encontrasse seu jeito de contar histórias: um passeio peculiar, inventivo por situações, personagens, cidades e temperamentos, que pode nos oferecer um mergulho profundo no inconsciente à mesma medida em que revela tanto da realidade quanto é possível. A Voz da Lua foi o último filme realizado por Fellini, antes de sua morte. Pode-se dizer que foi um presente de referências deixado para seus espectadores, mas acredito que acima...

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E la nave va

Federico Fellini era um espectador do mundo, um verdadeiro apaixonado pela humanidade em todas as suas camadas. Ao longo de seus 40 anos de carreira cinematográfica, construiu um estilo próprio que muito tinha a ver com o seu jeito de olhar a vida, de perceber as nuances e arestas das relações entre os seres humanos e a sociedade. Ele era um diretor atento não somente às miudezas da vida, como os flocos de pólen voando que marcam a entrada da primavera no Hemisfério Norte, em Amarcord, mas também a grandes acontecimentos individuais e coletivos. Conta-se que existem traços autobiográficos...

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Ensaio de Orquestra

É gostoso ver como, ao longo dos anos, Fellini começa a brincar mais com os estilos. Assistir a um filme como Ensaio de Orquestra é quase como se colocar à frente de um picadeiro de circo e acompanhar as diferentes relações de autoridade entre as figuras clownescas, que aparecem como uma maneira de refletir justamente as relações esdrúxulas – e necessárias, talvez? – que existem no mundo real. Perceba: os filmes de Fellini começam antes mesmo de começar. Imagine só uma película que fala sobre música começar com… Barulho. Esta relação entre música e barulho segue sendo discutida até...

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Amarcord

Amarcord – eu me recordo. Como posso eu, que nem sonhava existir no ano de 1973, recordar-me tanto de tudo o que é mostrado ali naquela cidade? Peço licença para escrever sobre um dos meus filmes favoritos. Peço licença ao leitor, que veio em busca de um texto técnico e informativo, para falar sobre a importância que tem um cineasta como Federico Fellini. Principalmente quando abre mais uma vez seu baú de memórias e possibilita que o público tenha acesso a ele. Acredito que as verdadeiras genialidades de Fellini se disfarçam de transeuntes, prostitutas e acordeonistas, contando histórias aqui...

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