Home / Críticas / Serra Pelada
Cinemascope-serra-pelada (6)

Serra Pelada

Por Aline Fernanda

“De dia é 30 e de noite 38”

Serra Pelada apresenta uma viagem ao interior da maior mina a céu aberto dos tempos modernos. O ano é 1980. Os amigos Juliano (Juliano Cazarré) e Joaquim (Júlio Andrade) deixam São Paulo em busca do sonho do ouro. Os dois chegam à Floresta Amazônica como outros milhares de homens, repletos de sonhos e ilusões. Mas a vida no garimpo muda tudo. A obsessão pela riqueza e pelo poder os destrói. Juliano se torna um gangster. Joaquim deixa seus valores para trás. Uma história sobre a febre do ouro, sobre ganância e violência. Sobre uma grande amizade e seu fim. 

Serra Pelada mostra um evento único cujos temas são os mais universais possíveis: ouro, ambição, desejo, amor bandido, amizade e violência.”

Heitor Dhalia, diretor, corroteirista e coprodutor

Serra Pelada foi a maior concentração de trabalho manual desde as Pirâmides do Egito, com a diferença de ser construída de cabeça para baixo pelos garimpeiros, com pás e picaretas. Estima-se que mais ou menos 100 mil homens tenham passado pelo maior garimpo de céu aberto. Na primeira quinzena de 1985, a Caixa Econômica Federal informou que o garimpo já tinha permitido elevar em U$$ 120 milhões as reservas cambiais. Calcula-se que nos oitos anos de funcionamento de Serra Pelada 40 toneladas de ouro tenham sido comercializados, sendo 30 toneladas oficialmente. A maior pepita encontrada no garimpo de Serra Pelada pesava 62,5 quilos, chamada de Canaã, seu descobridor, João de Deus Filho foi morto em uma briga de bar.

A pesquisa foi realizada por Eloa Chouzal, e algumas das imagens originais da época foram usadas no filme, um dos pontos fortes do longa de Heitor Dhalia, sem dúvidas, é a Direção de Fotografia. Lito Mendes Da Rocha (Natimorto) é o responsável por tornar as imagens tão similares, tornando difícil saber em certos momentos tratar-se de um arquivo real. Além do que, algumas cenas são muito lindas, como a da briga de garimpeiros com o Juliano e Joaquim e na hora em que Joaquim está delirando de febre.

Juntamente com a fotografia vem o cenário, apesar de não conseguirem gravar no local original da história, que era o desejo da produção, encontraram locais que permitiram traduzir o que foi Serra Pelada sem grandes problemas. Além do local do garimpo as casas dos garimpeiros e a cidade chamada de 30 (chamada assim por estar a 30 km de Serra Pelada) o que deu um ar único ao local.

Outro ponto muito positivo foi a trilha sonora, marcadas pelas guitarradas bregas da época, o que trabalhou muito bem com o filme e a cenografia. A única coisa que incomoda é a música que toca no momento em que Tereza, personagem de Sophie Charlotte, tenta fugir de Juliano e é perseguida pelos seus capangas. A música suaviza o fato de a personagem ser tratada como uma mulher-objeto e por não ter suas escolhas respeitadas.

Os grandes momentos do filme estavam relacionados com as aparições de Wagner Moura e Matheus Nachtergaele como Carvalho, um homem que apesar de sua baixa estatura é muito perigoso e rico. Diferente dos seus personagens habituais engraçados e afeminados, Carvalho é um homem sério e que exala masculinidade, o ator mais uma vez conseguiu dar vida a um personagem complexo e roubar a cena. Sobre seu personagem e o trabalho com o diretor o ator comenta: Carvalho é o dono das serras nuas. Na interpretação do personagem busquei a sinceridade nas coisas ditas e não ditas. Quanto a trabalhar com Heitor Dhalia, posso dizer que ele é um príncipe. Ensaiamos minhas cenas e depois, na filmagem, ele sempre foi um príncipe”.

O personagem de Wagner Moura, Lindo Rico, é o antagonista de Juliano, tem um temperamento explosivo e violento. O ator foi escalado incialmente parar viver o personagem Juliano, mas por conta de problemas de agenda precisou abrir mão do papel.

Os protagonistas escolhidos para contar a história são fracos, tanto Juliano quanto Joaquim, principalmente com personagens tão impactantes como Lindo Rico e Carvalho. Além disso, Juliano Cazarré é fraco e não convence como Juliano em sua fase gângster.

O filme é cheio de narrativas em off e diálogos desnecessários que só fazem com que o público não precise pensar sobre o que acontece com os personagens, como por exemplo logo depois de matar um homem Juliano fala para seu amigo algo como “Gosto de matar”.

Cinemascope-serra-pelada -poster

Serra Pelada

Ano: 2013

Diretor: Heitor Dhalia.

Roteiro: Heitor Dhalia, Vera Egito.

Elenco Principal: Wagner Moura, Juliano Cazarré, Julio Andrade, Sophie Charlotte.

Gênero: Drama.

Nacionalidade: Brasil.

 

 

 

Assista o Trailer:

Galeria de Fotos:

Por Aline Fernanda “De dia é 30 e de noite 38” Serra Pelada apresenta uma viagem ao interior da maior mina a céu aberto dos tempos modernos. O ano é 1980. Os amigos Juliano (Juliano Cazarré) e Joaquim (Júlio Andrade) deixam São Paulo em busca do sonho do ouro. Os dois chegam à Floresta Amazônica como outros milhares de homens, repletos de sonhos e ilusões. Mas a vida no garimpo muda tudo. A obsessão pela riqueza e pelo poder os destrói. Juliano se torna um gangster. Joaquim deixa seus valores para trás. Uma história sobre a febre do ouro, sobre…

Avaliação geral

Avaliação geral

3,5

Sobre Fernanda

Psicóloga, fotógrafa, paulistana, fã dos clássicos, suspense e animação, tem como ídolos os diretores Alfred Hitchcok e Tim Burton.
Comentários