Autor: Cicero Pedro Leão

Sobre

Cicero Pedro Leão

Jornalista apaixonado por cinema, literatura, música e quadrinhos. Pesquiso a obra de Jean Renoir na UFMG. Descobri minhas paixões ouvindo os Rolling Stones, lendo Roberto Piva e assistindo a Anecy Rocha em "A Lira do Delírio".

Requadro: um filme e um quadrinho sobre viagens em família

Nos road movies, geralmente os protagonistas passam por uma grande viagem para chegar a alguma espécie de revelação ou descoberta no final. Se a família entra nesse processo, esses laços afetivos tornam a experiência mais intensa, com mais vozes e dores extravasadas ao longo da estrada. Neste retorno do Requadro, abordamos um quadrinho e um filme sobre viagens em família. As duas obras têm propostas bem distintas: uma focada na fragmentação da narrativa, cabendo mais ao espectador entender os sentimentos dos integrantes de uma família argentina; e a outra proposta consiste em uma narrativa coesa, com personalidades e relações...

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Por El Diñero

Por El Diñero é um filme-manifesto que inspira manifestos nos espectadores. Manifesto porque é uma declaração sobre as dificuldades de se fazer arte, especialmente cinema e teatro, de forma independente nos dias de hoje. A obra demonstra como a necessidade de dinheiro pode ser tão intensa que até penetra (ou infecta?) o próprio fazer artístico. Mas o novo trabalho de Alejo Moguilansky é inspirador porque ele transforma essa realidade áspera e cruel em poesia, eliminando as barreiras entre vulnerabilidade, burocracia e arte: na representação extrema do filme, todos esses elementos se misturam. Na primeira cena de Por El Diñero,...

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Os Jovens Baumann

A popularidade dos filmes de terror no estilo found footage ocasionou na produção de algumas obras pouco inspiradas, que somente seguem regras básicas do gênero para suscitar sustos banais. Não é o caso de Os Jovens Baumann, dirigido por Bruna Carvalho Almeida. Aqui, o inimigo não é um monstro ou um assassino. Na verdade, o inimigo não é, necessariamente, personificado em algum indivíduo. Com a subversão do gênero, a ansiedade pela solução do mistério se transforma em melancolia. As fitas que acompanhamos são das férias de 1992 dos jovens Baumann, em Santa Rita do Oeste, Sul de Minas Gerais,...

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Danças Macabras, Esqueletos e Outras Fantasias

Entre as várias digressões, reflexões e lembranças apresentadas pelo filósofo Jean-Louis Schefer em Danças Macabras, Esqueletos e Outras Fantasias, é marcante quando ele comenta que a força de uma imagem não depende necessariamente da fidedignidade de sua aparência com o mundo real. Para explicar o seu argumento, ele lembra de ter recebido uma imagem de uma antiga amiga que, tempos depois, faleceu. A imagem que essa amiga tinha lhe dado se tornou a sua própria amiga, ainda que ela não estivesse nessa imagem. O filme Danças Macabras, Esqueletos e Outras Fantasias, com direção de Rita Azevedo Gomes, Pierre Leon...

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Diz a ela que me viu chorar

Na última imagem de Diz a ela que me viu chorar, a câmera está distante e fixa diante de um quarto de um apartamento. No centro, há uma mulher sentada no chão que está aflita pois não tem notícias de sua namorada. A imagem diz muito sobre o documentário de Maíra Bühler e como ele quebra várias expectativas em relação a retratos de pessoas que usam drogas. Mostrando os moradores de um hotel social situado em uma região de usuários de crack de São Paulo, a realidade dura desse contexto não é apagada. Entretanto, o objetivo do filme não...

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