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Cães de Guerra

Por Felipe Teixeira

A incrível história de como dois jovens americanos tornaram-se uns dos maiores vendedores de armas do planeta em 2007 é o tema do novo filme de Todd Phillips, diretor da trilogia Se Beber, Não Case. Famoso pela bem-sucedida franquia envolvendo bêbados e piadas grotescas, Phillips, junto a seus co-roteiristas Stephen Chin e Jason Smilovic, volta-se a um assunto mais sério, mas não deixa de fazer graça em um empolgante filme que choca pela absurdez de seus fatos e ainda conta com uma dupla de protagonistas entrosada.

Baseado em uma reportagem da revista Rolling Stone lançada em 2011, por Guy Lawson, Cães de Guerra retrata a trajetória de como David Packouz (Miles Teller) e Efraim Diveroli (Jonah Hill) passaram de maconheiros da classe média de Miami a traficantes internacionais de armas, vendendo granadas, AK-47 e munições para as Forças Armadas Americanas e faturando milhões de dólares em inacreditáveis transações.

Por mais que não pareça, grande parte das ações de Packouz e Diveroli foram feitas dentro da legalidade: em guerra com o Iraque e o Afeganistão, o governo Bush optou por terceirizar grande parte das operações militares, gastando bilhões de dólares em contratos com fornecedores de todos os tipos. Como a lei determinava que toda compra do Pentágono deveria ser feita por meio de leilões públicos, a dupla negociava com os fornecedores, vencia a concorrência, revendia as armas ao governo e assim lucrava rios de dinheiro.

É claro que a ambição por cada vez mais dinheiro gerava negócios cada vez mais perigosos para David e Efraim, envolvendo viagens ao Oriente Médio, falsificação de documentos, contato com suspeitos de terrorismo e por aí vai. A eficiente montagem de Jeff Groth, acompanhada de uma narração dos fatos do ponto de vista de David, confere ao longa-metragem um ritmo dinâmico e instigante à medida que a absurda trama ganha contornos mais sérios para os personagens e suas vidas pessoais.

Apesar de arriscadíssimas situações e alguns eventos violentos, o humor é utilizado de forma recorrente ao longo da projeção e funciona muitas vezes como uma sátira ao mercado da guerra e ao governo estadunidense, que prega pela paz, mas não deixa de lucrar com as invasões em territórios inimigos. E para aliviar ainda mais o tom do filme, por vezes o roteiro de Todd e Cia. exagera no retrato dos esquemas criados pela dupla, inventando situações completamente fictícias, como em uma cena envolvendo um resgate em pleno Triângulo da Morte, no Iraque, que é digna de uma nova continuação de Se Beber, Não Case.

Mas grande parte desse tom cômico do longa-metragem vem do bom trabalho da dupla protagonista, principalmente do já duas vezes indicado ao Oscar, Jonah Hill. Alguns momentos de diálogo com espectador e de situações inusitadas em Cães de Guerra inclusive remetem ao filme que rendeu a Hill sua última indicação, O Lobo de Wall Street (2014), de Scorsese. Com um físico longe do atlético e uma risada debochada, o ator entrega uma atuação que varia entre a camaradagem e a obsessão tangente à loucura, construindo um personagem multifacetado e imprevisível. Miles Teller, também cada vez mais maduro, representa o lado mais humano da história, e sua luta pelo sustento da família e pela sobrevivência de seus valores é o fio condutor que aproxima os espectadores das inimagináveis circunstâncias em que o personagem se envolve. Por outro lado, a bela atriz cubana Ana de Caras, que vive Iz, a esposa de David, é extremamente subaproveitada durante o filme e funciona apenas como um artifício do roteiro para movimentar o andamento da trama.

Notoriamente influenciado por outros filmes de “pessoas legais fazendo coisas ilegais” como Os Bons Companheiros e Trapaça, Cães de Guerra também levanta questões morais sobre até que ponto o business de metralhadoras e fuzis, que todos os dias são responsáveis por inúmeras mortes em todo o mundo, pode ser considerado divertido. Ainda assim, não deixa de ser engraçado assistir ao deslumbramento de dois playboys se passando por mercadores da morte, testando munições de armas AK-47 na Albânia em câmera lenta e melhorando de vida por meio da guerra.

Com uma história interessante e um estilo moderno, Cães de Guerra brinca de forma eficiente com o vergonhoso mercado da guerra. Não fossem algumas imagens de arquivo e o aviso de que o filme é baseado em fatos reais, seria difícil acreditar em uma história tão surpreendente e, graças a Todd Phillips, tão divertida.

caes-de-guerra-poster-teaserCães de Guerra (War Dogs)

Ano: 2016

Direção: Todd Phillips

Elenco: Jonah Hill, Miles Teller, Bradley Cooper, Ana de Armas

Gênero: Comédia dramática

Nacionalidade: Estados Unidos

Assista ao trailer:

Galeria de Fotos:

Por Felipe Teixeira A incrível história de como dois jovens americanos tornaram-se uns dos maiores vendedores de armas do planeta em 2007 é o tema do novo filme de Todd Phillips, diretor da trilogia Se Beber, Não Case. Famoso pela bem-sucedida franquia envolvendo bêbados e piadas grotescas, Phillips, junto a seus co-roteiristas Stephen Chin e Jason Smilovic, volta-se a um assunto mais sério, mas não deixa de fazer graça em um empolgante filme que choca pela absurdez de seus fatos e ainda conta com uma dupla de protagonistas entrosada. Baseado em uma reportagem da revista Rolling Stone lançada em 2011,…

Avaliação geral

Avaliação Geral

3,5

Sobre Felipe

Jornalista e amante da cultura pop, principalmente quando o assunto é um anel do poder ou uma ilha misteriosa com uma fumaça preta. Curte muito o Cuarón, o Linklater, os Coen, o Fincher e o Scorcese.
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